BNP Vence com Supermaioria
Governança Global — Ásia e Oceania
Comissão Eleitoral de Bangladesh divulga resultados oficiais: BNP conquista 209 das 297 cadeiras declaradas, com Jamaat-e-Islami registrando histórica perfor...
A Comissão Eleitoral de Bangladesh divulgou nesta sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026, os resultados oficiais extraoficiais da 13ª eleição parlamentar do país, realizada na véspera, 12 de fevereiro, consolidando a vitória avassaladora do Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP) e suas coligadas. Segundo o secretário-sênior da Comissão Eleitoral, Akhtar Ahmed, que anunciou os dados em entrevista coletiva na sede da Comissão no bairro Agargaon, em Dhaka, o BNP conquistou 209 das 297 circunscrições cujos resultados haviam sido declarados até o momento, enquanto o Jamaat-e-Islami obteve 68 cadeiras — o melhor desempenho histórico do partido islamista bangladeshiano. As eleições para as circunscrições de Chattogram-2 e Chattogram-4 foram suspensas por ordem judicial, sendo este o motivo pelo qual os resultados foram divulgados para apenas 297, e não para as 300 circunscrições originalmente previstas.A Comissão Eleitoral registrou uma taxa de participação de 59,88% — ligeiramente inferior à estimativa preliminar de 60,69% mencionada na noite anterior —, num pleito que reuniu 127 milhões de eleitores aptos. A participação é considerada expressiva para um contexto marcado por tensões políticas e pela mobilização de dezenas de milhões de eleitores que retornaram às suas cidades de origem para votar, gerando congestionamentos históricos nas rodovias, ferrovias e hidrovias do país nos dias anteriores ao escrutínio.O resultado confirma o que as projeções da noite de quinta-feira já sinalizavam: o BNP conquistou não apenas maioria absoluta, mas dois terços do parlamento — patamar necessário para modificar a constituição sem necessidade de referendo. A aliança encabeçada pelo BNP obteve, no total, 212 cadeiras. Tarique Rahman, filho da ex-premiê Khaleda Zia, que faleceu em dezembro de 2025, e que retornou ao Bangladesh em dezembro de 2025 após 17 anos de exílio em Londres, foi declarado eleito em dois distritos — Dhaka-17 e Bogura-6 — e já é apontado como o próximo primeiro-ministro do país.O desempenho do Jamaat-e-Islami, com 68 cadeiras, representa uma ruptura histórica com os padrões eleitorais anteriores do partido: nunca antes havia a agremiação islamista obtido mais do que 18 assentos parlamentares em uma eleição bangladeshiana. O partido deve assumir o papel de principal oposição no novo parlamento. Asif Nazrul, professor de direito da Universidade de Dhaka, declarou à Al Jazeera que o Jamaat deve "servir como partido de oposição, de olho na próxima eleição", e expressou expectativa de que o partido desempenhe um papel "responsável e construtivo na política parlamentar".A Plataforma Nacional Cidadã (NCP), partido nascido do movimento estudantil que derrubou Sheikh Hasina em agosto de 2024, obteve seis cadeiras das 30 disputadas. Seu líder, Nahid Islam, de 27 anos, foi eleito e torna-se um dos parlamentares mais jovens do novo legislativo. Rezaul Karim Rony, analista político de Dhaka, avaliou que a vitória do BNP representa "a vitória de uma força democrática", ao mesmo tempo em que alertou que o principal desafio agora é "garantir boa governança, lei, ordem e segurança pública, e estabelecer um Estado baseado em direitos" — premissa central das aspirações do levante popular de 2024.O referendo constitucional sobre a Carta de Julho, realizado simultaneamente com as eleições parlamentares, foi aprovado com cerca de 60% dos votos. As propostas contempladas pela carta incluem a criação de uma câmara alta de 100 membros ao lado do atual parlamento unicameral, a introdução de limites de mandatos para o cargo de primeiro-ministro, a ampliação da representação feminina e o fortalecimento dos mecanismos de responsabilização judicial e parlamentar. O BNP já declarou apoio à implementação da carta, embora o partido discorde do Jamaat sobre o método de composição da câmara alta proposta: o BNP favorece a proporcionalidade em relação às cadeiras parlamentares conquistadas, enquanto Jamaat e NCP preferem um sistema de representação proporcional nacional.Tarique Rahman, em seu primeiro pronunciamento desde a confirmação dos resultados, apelou pela unidade nacional. A publicação do Diário Oficial com os nomes dos eleitos — a gazette — foi formalmente divulgada pela Comissão Eleitoral ainda nesta sexta-feira, tornando os resultados juridicamente vinculantes. A expectativa é de que o novo governo tome posse em 17 de fevereiro, embora haja relatos de que a coalizão Jamaat-NCP estaria considerando boicotar a cerimônia de posse como forma de pressionar pelo cumprimento prioritário das reformas previstas na Carta de Julho, antes da instalação do novo governo.Para observadores internacionais, os resultados das eleições de 12 e 13 de fevereiro de 2026 marcam a consolidação mais expressiva de um processo democrático em Bangladesh desde a redemocratização de 1991. A principal missão de observação, que reuniu 394 observadores de 21 países, avaliou o pleito de forma geralmente positiva, ressalvados os incidentes de violência política registrados ao longo do dia das eleições. A Liga Awami, de Sheikh Hasina — que se encontra exilada na Índia desde a queda de seu governo em agosto de 2024 — não participou do pleito por ter sido banida, encerrando um ciclo de 15 anos de dominância no sistema político bangladeshiano.