BRICS avança na criação de plataforma digital para facilitar investimentos
Economia e Comércio — Global
Iniciativa busca conectar mercados, reduzir custos e ampliar o financiamento entre economias emergentes
Integração financeira e a diplomacia brasileiraO BRICS vem trabalhando no desenvolvimento de uma plataforma digital de investimentos para simplificar operações financeiras entre seus membros e parceiros. Em um ambiente globalizado, a participação brasileira no grupo é fundamental para a diplomacia do país, como um eixo estratégico para fomentar o desenvolvimento econômico nacional, ampliar a cooperação internacional, diversificar mercados e fortalecer o Brasil em fóruns de decisão. Esse projeto atual reflete o esforço conjunto das nações para reduzir a dependência de sistemas tradicionais de pagamento, buscando maior autonomia e eficiência nas transações comerciais transfronteiriças.Agenda do BRICS e suporte institucionalO BRICS é um agrupamento informal composto por grandes economias emergentes que buscam fortalecer a coordenação política e econômica para aumentar sua influência no cenário internacional. A agenda financeira do grupo tem como objetivo principal ampliar a cooperação em sistemas de pagamento e reduzir a dependência de moedas e instituições financeiras predominantes no mercado global. A proposta da nova plataforma teve sua origem na Cúpula de Kazan, realizada em outubro de 2024, quando lideranças do grupo discutiram mecanismos para otimizar o financiamento internacional. A iniciativa conta com o apoio técnico e institucional do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), que atua como peça central na mobilização de recursos. Desde as discussões iniciais, a agenda financeira evoluiu significativamente ao longo de 2025 e 2026, com o objetivo de criar uma infraestrutura flexível voltada à atração de capital privado. Diferente da atuação tradicional do banco, que foca em empréstimos de grande porte para infraestrutura, a nova estrutura digital pretende oferecer maior agilidade e versatilidade aos investidores.Tecnologias e integração de ativos digitaisO funcionamento da plataforma depende da integração de ferramentas digitais modernas que contornam as limitações bancárias clássicas. Atualmente, as transferências internacionais costumam ser lentas e caras porque precisam passar por uma rede complexa de bancos correspondentes, o que gera taxas extras e demora na compensação dos valores. Para resolver isso, os países do grupo estudam o uso de novas tecnologias financeiras: as moedas digitais emitidas pelos bancos centrais funcionam como uma versão digital do dinheiro oficial do país, enquanto os instrumentos tokenizados transformam ativos reais em registros digitais seguros. Já as stablecoins são moedas digitais com valor estável, atrelado a uma moeda forte ou reserva de valor, o que reduz riscos nas negociações. Essas ferramentas permitirão conectar diferentes sistemas financeiros nacionais, facilitando a liquidação de pagamentos, que é o processo final de transferência dos recursos entre comprador e vendedor. Outro ponto central é a interoperabilidade, que na prática significa permitir que sistemas bancários de países distintos conversem entre si sem barreiras técnicas. Essa integração permitirá que empresas e investidores movimentem recursos de forma direta e muito mais barata.Impacto e soberania no Sul GlobalA plataforma de investimentos possui um papel relevante na dinamização econômica de países que integram o Sul Global. Além de facilitar o acesso a financiamento para grandes projetos, o modelo pretende apoiar pequenas e médias empresas que buscam expandir sua atuação internacional e necessitam de conexões confiáveis. Com o uso de mapas interativos e plataformas de dados, o mecanismo desenvolvido pelo BRICS também oferece maior clareza sobre riscos e oportunidades, ajudando a diminuir a desigualdade no acesso ao crédito e à infraestrutura técnica global. Essa inovação, portanto, é capaz de promover a soberania tecnológica ao estimular o desenvolvimento de soluções locais para que economias emergentes deixem de ser apenas consumidoras de tecnologias estrangeiras. Desafios técnicos e caminhos futurosA implementação plena deste ecossistema financeiro enfrenta obstáculos técnicos e regulatórios que exigem negociações constantes entre os Estados membros. As diferenças nas legislações bancárias, padrões de segurança cibernética e políticas monetárias nacionais demandam um alinhamento gradual para que o sistema funcione de modo integrado. O foco atual das autoridades financeiras do grupo é desenvolver centros conjuntos de liquidação e harmonizar os procedimentos de compensação para garantir previsibilidade às operações. O sucesso da plataforma dependerá, portanto, da capacidade técnica de lidar com as barreiras burocráticas e as variações jurídicas, para que o contato entre empresas de diferentes países se converta, de forma ágil e segura, em novos investimentos, projetos produtivos e geração de empregos.