ONU demanda perícia em Gaza para investigar possíveis crimes de guerra

Direitos Humanos — Oriente Médio

Novos achados de corpos sob escombros renovam evidências de crimes de guerra em Gaza

O pedido da ONU por acesso forense em GazaO alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, formalizou nesta terça-feira, dia 15 de setembro de 2026, um pedido urgente para que Israel permita a entrada de investigadores internacionais na Faixa de Gaza. A medida busca documentar e preservar evidências em locais devastados por quase três anos de conflito, diante da recente descoberta de centenas de restos mortais sob as ruínas. O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR) enfatiza que a preservação de amostras biológicas e o registro preciso das localizações são etapas fundamentais para a identificação das vítimas e para assegurar a responsabilidade sobre possíveis violações dos direitos humanos.A dimensão humanitária e a escala da destruiçãoA Defesa Civil Palestina reportou a descoberta de mais de 630 corpos entre novembro de 2025 e setembro de 2026, com estimativas de que mais de 8 mil pessoas ainda permaneçam soterradas. O cenário é agravado pela dimensão da devastação urbana, que acumula aproximadamente 61 milhões de toneladas de escombros. Em áreas como Az Zeitoun, equipes de resgate recuperaram dezenas de corpos, incluindo mulheres e crianças, muitas vezes utilizando meios manuais devido à precariedade das condições operacionais. Este processo prolonga o sofrimento das famílias que buscam por entes desaparecidos desde o início das hostilidades em 2023.Obstáculos operacionais e a posição de IsraelA operação de busca enfrenta barreiras logísticas impostas pelas restrições de acesso a maquinário pesado e equipamentos forenses. O chefe do escritório da ONU nos Territórios Palestinos denunciou que militares israelenses seguem nivelando terrenos com escavadeiras em áreas de ocupação, o que compromete a integridade dos locais e a preservação de provas. Em resposta, o embaixador de Israel junto à ONU refutou as acusações e sustentou as atividades israelenses alegando que o grupo islâmico Hamas continua usando infraestruturas civis para suas operações. As autoridades israelenses reiteram que agem em conformidade com o direito internacional e justificam o controle rigoroso sobre a entrada de materiais em Gaza como uma medida necessária para evitar a reconstrução de capacidades militares por grupos combatentes.O contexto jurídico das hostilidadesO pedido de perícia internacional fundamenta-se na observação de possíveis violações do Direito Internacional Humanitário, em especial dos princípios de distinção e proporcionalidade. Relatórios prévios da ONU indicaram que o uso de armamentos pesados em áreas densamente povoadas, ocorrido entre 2023 e 2024, resultou em danos extensivos a edifícios residenciais e infraestruturas civis. A continuidade das escavações e a documentação das vítimas agora permitem uma análise mais detalhada sobre a conduta das hostilidades. O encerramento deste ciclo de incertezas depende da cooperação das partes envolvidas com os órgãos internacionais de investigação para o esclarecimento definitivo dos fatos.