ONU alerta que El Niño ameaça milhões de vidas na África
Meio Ambiente — África
Organismos da ONU mobilizam recursos antecipados para mitigar crises humanitárias decorrentes de secas e enchentes extremas no continente africano.
Crise climática iminente ameaça segurança alimentar na África Oriental e AustralA Organização das Nações Unidas (ONU) alertou ontem, 30 de julho de 2026, que a intensificação do El Niño coloca milhões de vidas em risco no leste e sul do continente africano por causa de anomalias meteorológicas severas. O fenômeno climático natural, caracterizado pelo aquecimento periódico do Oceano Pacífico, altera radicalmente os regimes de chuva globais e deve estender seu impacto devastador até o início de 2027. Enquanto a porção oriental enfrenta precipitações torrenciais e inundações repentinas, o sul africano sofre com secas prolongadas que destroem safras inteiras de subsistência. Essa disparidade climática gera consequências humanitárias graves para as populações vulneráveis, exigindo respostas internacionais urgentes para evitar o colapso alimentar de diversas comunidades.Impactos desiguais provocam emergências humanitárias e deslocamentos forçadosOs efeitos práticos da instabilidade climática já são sentidos de forma dramática por agricultores e famílias em diferentes partes do território africano. Na Somália, inundações severas isolaram comunidades inteiras, inutilizaram clínicas médicas e forçaram o deslocamento de milhares de pessoas, como ocorreu com Asha Mohamed, mãe de nove filhos. Em contrapartida, na Zâmbia, a agricultora Esnart Chongani relatou que a estiagem severa aniquilou toda a produção de milho de sua família, inviabilizando até mesmo a tradicional rede de solidariedade comunitária. No vizinho Malawi, a colheita frustrada levou a camponesa Martha Kalumbi a hospitalizar seu bebê por desnutrição grave. Essa crise sanitária e de abastecimento também favorece a proliferação de doenças como a malária e o cólera, que se disseminam rapidamente em virtude da contaminação das poucas fontes de água potável restantes.Organizações multilaterais adotam financiamento preventivo para mitigar desastresDiante desse cenário, agências multilaterais das Nações Unidas decidiram agir de forma preventiva ao utilizar sistemas avançados de previsão meteorológica para liberar recursos financeiros antes que o desastre se consolide. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) coordenam um apelo conjunto que visa beneficiar 8,8 milhões de pessoas em 22 nações de alto risco. Entre 2023 e 2025, os programas de ação antecipada já alcançaram mais de três milhões de pessoas no sul da África e cerca de 5,5 milhões na porção oriental, fornecendo sementes resistentes e transferências de renda direta. Essa mudança de paradigma na assistência humanitária internacional demonstra que antecipar crises é consideravelmente mais eficaz do que remediar seus impactos catastróficos.Brasil articula combate à fome e resiliência climática em fóruns globaisO avanço da crise na África encontra ressonância nas prioridades da política externa brasileira, especialmente no âmbito dos debates promovidos durante a presidência do Brasil no G20, o Grupo dos Vinte, em 2026. Alinhado ao compromisso de erradicação da fome e transição ecológica justa, o governo brasileiro defende o fortalecimento de parcerias de cooperação técnica por intermédio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC). O Ministério das Relações Exteriores (MRE) destaca a relevância do multilateralismo e da transferência de tecnologias agrícolas tropicais como ferramentas fundamentais de adaptação climática para países em desenvolvimento. Com essas iniciativas, a diplomacia do Brasil busca consolidar a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, fortalecendo a segurança alimentar diante de desafios climáticos globais recorrentes.