Nova investigação da ONU acusa Israel de genocídio em Gaza

Direitos Humanos — Oriente Médio

Relatório do Alto Comissariado aponta a intencionalidade militar na destruição do povo palestino e denuncia o foco deliberado na população infantojuvenil.

O reconhecimento formal de práticas genocidasUma comissão independente da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou um relatório em 23 de junho de 2026 afirmando que Israel comete o crime de genocídio na Faixa de Gaza. As investigações, conduzidas sob a chancela do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), apontam para a execução deliberada de crimes de atrocidade contra a população civil. O documento reúne provas detalhadas sobre a intencionalidade das operações militares no apagamento sistêmico da presença palestina no território. A publicação oficializa o uso da tipificação mais grave do direito internacional nas discussões sobre as táticas militares empregadas na região.As táticas de punição coletiva e o foco deliberado na população infantilAs evidências documentadas pelos peritos demonstram a combinação do direcionamento intencional da violência contra menores e a destruição sistemática de infraestruturas vitais. O relatório destaca o ataque deliberado contra a população infantojuvenil como tática central do genocídio, com estimativas do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) indicando mais de 50 mil crianças mortas ou feridas. A letalidade continuou severa após o cessar-fogo parcial de outubro de 2025, resultando na média alarmante de um menor palestino vitimado diariamente ao longo de oito meses. Paralelamente, a comissão detalha o colapso calculado de hospitais, escolas e redes de água, classificando essas ações não como danos colaterais, mas como crimes contra a humanidade desenhados para inviabilizar a sobrevivência civil. Essa estratégia de punição coletiva agrava o escrutínio global e amplia a pressão diplomática sobre os aliados de Israel pelo bloqueio imediato de assistência bélica.Desafios processuais para as cortes de HaiaAs evidências recém-consolidadas pelo ACNUDH municiarão de imediato os processos jurídicos já em tramitação nos principais tribunais internacionais. O Tribunal Penal Internacional (TPI) avalia mandados de prisão referentes a crimes de guerra, enquanto a CIJ analisa diretamente a possível quebra da Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio. A comunidade global enfrenta agora o desafio histórico de provar a eficácia das suas instituições de governança perante violações abertas do direito humanitário. O avanço prático e célere desses inquéritos determinará a credibilidade e a força coercitiva do sistema das Nações Unidas nas próximas décadas.Endosso brasileiro à justiça internacionalO governo brasileiro acompanha os novos desdobramentos documentados pelas agências multilaterais com forte preocupação humanitária. A diplomacia nacional já havia manifestado apoio formal à petição inicial da África do Sul na Corte Internacional de Justiça (CIJ), que solicitava a investigação rigorosa de atos genocidas. O Estado brasileiro defende de forma consistente o cumprimento das resoluções do Conselho de Segurança e a liberação do fluxo de ajuda para as vítimas. Para o Itamaraty, a responsabilização jurídica pelas atrocidades e a retomada das negociações pela solução de dois Estados são premissas vitais para a consolidação de uma paz duradoura.