UE Considera Levantar Sanções à Rodríguez

Integração Regional — Global

Chefe da diplomacia europeia Kaja Kallas sinaliza abertura para proposta espanhola de suspender sanções contra presidente interina da Venezuela; decisão euro...

A chefe da política externa da União Europeia, Kaja Kallas, sinalizou nesta sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026, à margem da Conferência de Segurança de Munique, que aceitaria proposta da Espanha de suspender as sanções da UE contra Delcy Rodríguez, a presidente interina da Venezuela — medida que poderia facilitar o engajamento europeu com Caracas num momento em que os EUA avançam rapidamente em sua reconfiguração das relações bilaterais com a Venezuela pós-Maduro. A informação foi confirmada pela enciclopédia Wikpédia e por fontes da UE, e era amplamente esperada por analistas que monitoravam a evolução das relações entre Bruxelas e Caracas.A eventual suspensão das sanções representaria uma mudança importante de postura europeia. A UE havia imposto sanções a Rodríguez em contexto de violações de direitos humanos e seu papel na crise política venezuelana durante os anos do governo Maduro. Com a queda de Maduro — capturado em operação militar americana em 3 de janeiro de 2026 — e a ascensão de Rodríguez à presidência interina, vários governos europeus passaram a debater se a manutenção das sanções ainda fazia sentido ou se havia a necessidade de recalibrar a política europeia para não ficar à margem do processo de transição venezuelano.A iniciativa foi liderada pela Espanha, que mantém laços históricos e econômicos significativos com a Venezuela e abrigou por anos uma parcela relevante da diáspora venezuelana. Madri argumentou que a suspensão das sanções a Rodríguez criaria condições para que a UE tivesse interlocução diplomática direta com a nova liderança venezuelana e pudesse influenciar o processo de transição política no sentido de uma democratização genuína — incluindo a realização de eleições livres, condição que o bloco europeu fez questão de reiterar como prioridade.A posição de Kallas foi cuidadosamente calibrada. Ela aceitou encaminhar a proposta espanhola, mas condicionou qualquer decisão final a uma avaliação coletiva dos 27 membros da UE e ao cumprimento de benchmarks democráticos por parte do governo Rodríguez. A chefe da diplomacia europeia insistiu, em suas declarações, que o levantamento de sanções não significaria um cheque em branco para Caracas, mas sim um instrumento de engajamento condicionado que preservasse a pressão europeia por avanços concretos na democratização da Venezuela.O timing da sinalização europeia é diretamente relacionado ao avanço americano. Com o secretário de Energia Chris Wright completando sua visita histórica ao Orinoco Oil Belt em 13 de fevereiro e os EUA avançando rapidamente em acordos de produção petrolífera e cooperação energética com Caracas, a UE via-se diante do risco de ficar fora dos processos de reconstrução econômica da Venezuela — e, por consequência, de perder influência política num país onde empresas europeias como a Repsol espanhola e a ENI italiana operavam há décadas.A Repsol, em particular, já havia sido autorizada a retomar e ampliar suas operações na Venezuela após a queda de Maduro, em consonância com as novas licenças emitidas pelo governo interino. Mas sem um enquadramento diplomático formal que incluísse a UE — o que a manutenção das sanções contra Rodríguez dificultava —, o engajamento europeu ficava limitado ao plano empresarial, sem peso político para influenciar o processo de transição.Para o Brasil, o debate europeu sobre sanções à Venezuela tinha implicações diretas. O governo Lula havia adotado postura ambígua diante da captura de Maduro: por um lado, condenou a operação americana como violação do direito internacional e da soberania venezuelana; por outro, reconheceu a necessidade de interlocução com as novas autoridades de fato em Caracas para proteger os interesses brasileiros na região, incluindo as relações comerciais e a questão dos milhões de refugiados venezuelanos no Brasil. O eventual reengajamento europeu poderia criar espaço para uma abordagem multilateral que o Brasil buscava como alternativa ao bilateralismo americano-venezuelano.As sanções da UE contra funcionários venezuelanos foram impostas originalmente em 2017, em resposta à crise constitucional provocada por Maduro, e foram progressivamente ampliadas ao longo dos anos. Rodríguez nunca havia sido indiciada criminalmente nos EUA — diferentemente de Maduro e de outros funcionários —, o que tornava tecnicamente mais fácil para Washington e para a UE tratar com ela. O Departamento de Justiça americano e a DEA mantinham, entretanto, arquivos de inteligência extensos sobre Rodríguez, o que indicava que a cooperação com ela era pragmática, não uma absolvição política.