A Assembleia dos Especialistas Escolheu o Novo Líder Supremo
Economia e Comércio — Ásia e Oceania
Na noite de sábado, membros da Assembleia confirmam que a votação foi concluída e o nome será anunciado no domingo, Trump disse que Mojtaba é "inaceitável" e...
A Conclusão da Votação e os Impasses de SegurançaNa noite de sábado, 7 de março de 2026, às 21h17 no horário de Teerã, o canal de notícias em língua árabe Al Arabiya (que há dias acompanhava de perto os bastidores da Assembleia dos Especialistas) publicou mensagem de um de seus correspondentes confirmando o que membros da Assembleia haviam dito horas antes às agências iranianas: a votação estava concluída, o nome havia sido escolhido e o anúncio aguardava apenas as formalidades de comunicação e as condições de segurança para o porta-voz da Assembleia fazer a declaração pública. Três membros haviam confirmado individualmente à imprensa naquele dia: Ahmad Alamulhuda, membro influente da ala principalista, havia dito que "qualquer mudança na decisão é constitucionalmente proibida" e que o atraso era apenas a espera de que Hashem Hosseini Bushehri fizesse o anúncio formal; Mahdi Mirbaqiri havia dito que "alguns obstáculos no processo ainda precisavam ser resolvidos" mas que a decisão em si estava tomada; Mohsen Heidari Alekasir havia dito que "riscos de segurança estavam impedindo uma reunião presencial" para o anúncio formal, numa referência direta ao fato de que o IDF havia declarado que atacaria qualquer sucessor eleito e que os membros temiam que uma reunião plenária presencial criasse um alvo para um novo strike israelense, conforme Al Jazeera e o Jerusalem Post documentaram.Pressões Externas e a Inédita Interferência AmericanaO processo que havia chegado àquele ponto em 7 de março havia sido extraordinariamente perturbado, por strikes israelenses, por pressão militar do IRGC, pela fratura de comando de 7 de março entre Pezeshkian e os generais, e pelas declarações de Trump. Desde 3 de março, quando a primeira sessão online da Assembleia havia ocorrido sob "pesada pressão" do IRGC (pressão que a Iran International havia descrito como "reuniões presenciais e ligações telefônicas" com membros da Assembleia, instando-os a votar em Mojtaba), o processo havia sido simultaneamente uma crise constitucional, uma batalha de poder interna e um episódio de política externa sem precedente: pela primeira vez na história da República Islâmica, o presidente dos EUA havia declarado explicitamente querer participar da seleção do Líder Supremo. "Eles estão desperdiçando o tempo deles. O filho de Khamenei é um peso-leve. Eu preciso estar envolvido no processo de seleção", Trump havia dito ao Axios na quinta-feira, 5 de março, acrescentando que Mojtaba seria "inaceitável" para ele e comparando-o desfavoravelmente com a presidente venezuelana Delcy Rodríguez, que havia aceitado as demandas americanas. O ministro da Defesa israelense Israel Katz havia ido ainda mais longe em 4 de março: "Qualquer líder nomeado pelo regime terrorista iraniano... será também um alvo para o IDF", disse Katz, conforme o NBC News reproduziu, tornando a declaração de Katz possivelmente o fato mais decisivo para a seleção que se seguiu.O Efeito Paradoxal de Trump e a Quebra de Princípios ConstitucionaisA análise da Foreign Affairs, publicada na madrugada de domingo com base nos acontecimentos de sábado e amplamente reproduzida nos briefings matinais dos ministérios de relações exteriores de Brasil, França e RU, era a mais rigorosa e citada sobre o processo de seleção. Escrita pelos pesquisadores Ali Alfoneh e Arash Azizi, a análise concluía que "o fator mais significativo na seleção [de Mojtaba] foi o presidente Donald Trump": ao expressar seu desagrado com a perspectiva de Mojtaba assumir o poder (chamando-o de "peso-leve" e "inaceitável") e ao declarar que queria "participar" da seleção, Trump havia, paradoxalmente, tornado Mojtaba a única opção viável para a sobrevivência do regime. Com sua soberania solapada e sua liderança humilhada, o regime optou por elevar uma figura representando resistência à pressão estrangeira, "mesmo que essa escolha contradizisse os princípios ideológicos e as normas constitucionais do regime". Alekasir havia dito explicitamente isso: "A razão pela qual Mojtaba foi escolhido é que o Grande Satã mencionou seu nome como inaceitável. Não precisamos de mais recomendação do que essa." A eleição de Mojtaba violava ao menos dois princípios constitutivos do regime islâmico fundado por Khomeini: a oposição ao governo hereditário (que havia derrubado o Xá precisamente por ser um regime dinástico) e a exigência de credenciais religiosas suficientes para o cargo, dado que Mojtaba, aos 56 anos, era apenas um clérigo de nível intermediário sem o status de grande aiatolá ou mesmo aiatolá sênior que seu pai havia ostentado. O próprio Ali Khamenei havia, segundo fontes dos escritórios da Assembleia dos Especialistas citadas pela Iran International, se oposto durante toda a vida à ideia de seu filho o suceder, "temendo que isso trouxesse de volta uma estrutura monárquica ao regime islâmico".