ONU aprova resolução de Brasil e México contra armas nucleares
Segurança e Paz — Global
O documento foi aprovado na Primeira Comissão da Assembleia Geral com 178 votos favoráveis.
Votação expressiva na Primeira ComissãoA Primeira Comissão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), órgão responsável pelos temas de desarmamento e segurança internacional, aprovou a resolução conjunta apresentada por Brasil e México sobre o Estudo Abrangente sobre Zonas Livres de Armas Nucleares em todos os seus aspectos. Na votação realizada no âmbito do comitê em 27 de outubro, o texto obteve o voto favorável de 178 Estados membros da organização. Segundo a chancelaria brasileira, esse amplo apoio diplomático demonstra o reconhecimento internacional dessas zonas como instrumentos duradouros e eficazes para a manutenção da paz e do regime de não proliferação nuclear. O resultado da votação consolida um trabalho técnico prévio que contou com a coordenação direta da diplomacia brasileira.Liderança brasileira e foco no Oriente MédioA resolução aprovada dá seguimento formal às conclusões do Grupo de Peritos Qualificados da ONU, colegiado técnico que funcionou sob a presidência do Brasil. Durante os trabalhos, o grupo examinou opções práticas e recomendações para fortalecer as Zonas Livres de Armas Nucleares (ZLANs) já estabelecidas no planeta. Além de buscar o aperfeiçoamento jurídico e político dos mecanismos vigentes, o documento serve como uma referência atualizada para orientar os esforços voltados à criação de novas áreas livres de arsenais atômicos. O texto destaca expressamente a necessidade de promover o estabelecimento de uma zona desnuclearizada no Oriente Médio, região marcada por tensões geopolíticas e pela ausência de um tratado regional de proibição total dessas armas. Tradição diplomática e tratados regionaisA parceria entre Brasil e México na autoria da resolução tem raízes diretas no pioneirismo latino-americano em matéria de desarmamento. Os dois países são signatários históricos do Tratado para a Proscrição de Armas Nucleares na América Latina e no Caribe, conhecido como Tratado de Tlatelolco, assinado na capital mexicana em 1967 para criar a primeira zona livre de armas nucleares em uma região densamente povoada do mundo. Ao longo das décadas seguintes, esse modelo regional inspirou a criação de outras quatro zonas semelhantes em territórios habitados, estabelecidas pelos tratados de Rarotonga (Pacífico Sul), Bangkok (Sudeste Asiático), Pelindaba (África) e Semipalatinsk (Ásia Central), além do estatuto especial da Mongólia. Para o Estado brasileiro, a defesa dessas zonas soma-se aos compromissos assumidos na Constituição Federal de 1988, que determina o uso exclusivamente pacífico da energia nuclear, no Tratado sobre a Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) e no Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares (TPAN).Compromisso com o desarmamento globalDe acordo com a nota oficial divulgada pelo Palácio do Itamaraty, a aprovação da resolução reafirma o compromisso permanente do Brasil com o objetivo de alcançar um mundo totalmente livre de armas nucleares. Ao atualizar as diretrizes para a cooperação entre as zonas existentes e incentivar sua expansão geográfica, o documento reforça o papel dos países não nuclearmente armados na arquitetura de segurança internacional. Em um cenário global de modernização de arsenais estratégicos pelas potências detentoras de armamento atômico, a iniciativa brasileiro-mexicana mantém o desarmamento no centro da agenda da Assembleia Geral da ONU.