OIM registra redução nas migrações marítimas para a Europa, mas mortalidade atinge novo...
Migrações — Europa
Fluxo migratório cai 39%, contudo, travessias marítimas tornam-se cada vez mais fatais
Os novos dados da OIMA Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU) que atua como principal entidade global para o tema, divulgou dados preocupantes sobre as rotas em direção ao continente europeu. No balanço realizado até setembro de 2026, observou-se uma mudança significativa nos padrões de deslocamento humano por via marítima. Embora o volume absoluto de pessoas que buscam acessar o território europeu por meios irregulares apresente uma queda acentuada, a agência alertou para a crescente gravidade dos riscos enfrentados pelos migrantes durante as travessias.O paradoxo da letalidadeOs números revelam que cerca de 60 mil pessoas realizaram a travessia irregular neste ano, enquanto o mesmo período em 2025 registrou aproximadamente 98 mil casos, representando uma redução de 39%. A queda mais acentuada verificou-se na rota do Mediterrâneo Central em direção a Itália, onde o número de chegadas de migrantes diminuiu 55%. O fenômeno da letalidade, por sua vez, caminha em direção oposta à diminuição das chegadas. Pelo menos 2.292 indivíduos morreram ou desapareceram até setembro de 2026, superando a marca de 1.999 fatalidades contabilizadas no ano anterior. Essas jornadas costumam ocorrer em embarcações superlotadas e sem condições mínimas de navegabilidade, o que explica o elevado índice de naufrágios e casos de óbitos, cujo número real é provavelmente superior ao registado. O ponto de partida mais comum localiza-se na costa libanesa e, ao longo do ano, 17.067 migrantes foram interceptados ainda no mar e retornados à Líbia, segundo dados do governo.Pressão política e o endurecimento das fronteirasO cenário de instabilidade migratória ocorre em um momento de acentuada pressão política exercida por partidos de direita dentro do bloco europeu, que defendem o endurecimento das políticas de controle fronteiriço. Essa movimentação política culminou, em junho de 2026, na aprovação de um conjunto de regras pela União Europeia (UE) que flexibiliza as possibilidades de deportação de migrantes para fora do bloco. A implementação dessas medidas reflete a busca dos Estados-membros por conter o fluxo migratório irregular e redefinir os protocolos de acolhimento e repatriação em um contexto geopolítico que prioriza a segurança das divisas externas.Recomendações e perspectivas para a governança globalA Organização Internacional para as Migrações reiterou a urgência de ampliar as oportunidades de entrada legal no território europeu, como forma de desestimular o uso de rotas perigosas. A agência enfatiza que a adoção de políticas focadas na redução de riscos ao longo dos trajetos migratórios é fundamental para proteger a vida e garantir a dignidade humana. A persistência do desafio migratório demanda esforços coordenados dos países, consolidando a necessidade de uma governança global que harmonize os interesses nacionais com os compromissos internacionais assumidos em prol dos refugiados e migrantes. A tendência para o restante do ano sinaliza a continuidade dessa complexa equação entre políticas de contenção e a necessidade de proteção humanitária.