Brasil e México aprofundam parceria na VI Reunião da Comissão Binacional

Política Externa Brasileira — América Latina

Sexta Reunião da Comissão Binacional resulta em novos acordos de cooperação científica e educacional entre as duas maiores economias latino-americanas.

Cooperação estratégica entre Brasil e MéxicoO Ministério das Relações Exteriores (MRE) emitiu, nesta sexta-feira, 07 de agosto de 2026, a declaração conjunta que sumariza os resultados da VI Reunião da Comissão Binacional Brasil-México. O documento reflete o encerramento da visita oficial do Secretário de Relações Exteriores do México, Roberto Velasco Álvarez, que cumpriu uma agenda de alto nível na capital federal brasileira. O representante mexicano foi recebido no Palácio do Planalto pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma audiência que destacou a importância geopolítica da união entre as duas maiores economias da região. Posteriormente, Velasco Álvarez e o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, copresidiram a sessão plenária que revisou os trabalhos das subcomissões de assuntos políticos, econômicos, comerciais, financeiros, de cooperação técnico-científica e educacional. Este mecanismo de diálogo periódico reafirma o compromisso mútuo com a estabilidade institucional e pavimenta o caminho para futuras visitas presidenciais e para o adensamento da integração produtiva entre as duas nações.Convergência política e robustez das relações econômicas bilateraisA atual afinidade política entre as administrações do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da Presidente Claudia Sheinbaum Pardo contribui para a expansão dos laços entre as duas maiores economias da América Latina. Durante os diálogos, as autoridades ressaltaram que o Brasil se consolidou como o principal exportador latino-americano para o México, com o comércio bilateral alcançando a marca de US 15 bilhões no Brasil e empresas brasileiras anunciando novos aportes de US$ 3,5 bilhões em solo mexicano. Diante desse cenário de interdependência, ambos os governos reafirmaram a urgência em modernizar os Acordos de Complementação Econômica Nº 53 (ACE-53) e Nº 55 (ACE-55). O objetivo central é ajustar o marco regulatório comercial para que os fluxos financeiros correspondam ao real potencial de mercado das duas nações, incentivando a integração produtiva em setores de alta complexidade.Inovação tecnológica como pilar do desenvolvimento conjuntoUm dos marcos mais significativos do encontro foi a assinatura do Memorando de Entendimento para a Cooperação em Ciência, Tecnologia e Inovação entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) do Brasil e a Secretaria de Ciência, Humanidades, Tecnologia e Inovação (SECIHTI) do México. Este instrumento estabelece uma estrutura de colaboração voltada para setores de fronteira, como inteligência artificial, semicondutores, tecnologias quânticas e supercomputação. Além da infraestrutura digital, o acordo prevê projetos conjuntos em bioeconomia, segurança alimentar e transição energética, setores considerados vitais para a autonomia estratégica regional. A cooperação também se estende ao campo espacial, com o Brasil convidando o México a integrar o Centro Latino-Americano de Biotecnologia (CABBIO), enquanto o México propôs a inclusão brasileira na Agência Latino-Americana e Caribenha do Espaço (ALCE). Tais iniciativas demonstram uma clara intenção de reduzir a dependência tecnológica de centros extrarregionais.Fortalecimento dos laços educacionais e culturaisNo âmbito da promoção da língua e da cultura, as delegações formalizaram o Memorando de Entendimento sobre Cooperação Educacional entre o Ministério das Relações Exteriores do Brasil e a Secretaria de Relações Exteriores do México. O documento viabiliza a oferta de cursos de língua portuguesa e cultura brasileira para funcionários do governo mexicano, por intermédio do Instituto Guimarães Rosa (IGR) e do Instituto Matías Romero. Esta iniciativa visa reduzir barreiras linguísticas na burocracia estatal e fomentar uma compreensão mais profunda das nuances sociais de cada país entre seus tomadores de decisão. Paralelamente, as autoridades discutiram o intercâmbio de melhores práticas em economias criativas e o avanço nas negociações de acordos de coprodução audiovisual. A sustentabilidade de museus e a aplicação de novas tecnologias na preservação do patrimônio histórico também figuraram como temas centrais das discussões educacionais.Coordenação multilateral e defesa de interesses regionaisPara além da agenda bilateral estrita, os chanceleres reafirmaram uma ampla convergência de posições em temas de governança global, destacando o apoio conjunto à candidatura de Michelle Bachelet para a Secretaria-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O Brasil e o México reiteraram o compromisso com a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) como o principal foro de concertação política regional, além de defenderem a autonomia da Organização dos Estados Americanos (OEA). No campo da segurança energética, a celebração do memorando entre a Petrobras (Petróleo Brasileiro S.A.) e a PEMEX (Petróleos Mexicanos) sinaliza uma estratégia de integração setorial robusta. As partes também acordaram em fortalecer a cooperação para aproveitar os resultados da COP30, ocorrida no final do ano passado em Belém do Pará, focando em financiamento climático e na segurança alimentar global. A consolidação desta densa agenda de compromissos projeta uma influência diplomática renovada para ambos os países nas futuras deliberações do G20 (Grupo dos Vinte) e do BRICS (agrupamento formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).