EUA entram em shutdown parcial à meia-noite de 31 de janeiro: impasse no Senado sobre f...
Direitos Humanos — América do Norte
O governo americano entrou em shutdown parcial à meia-noite de 31 de janeiro após o Senado não conseguir aprovar o financiamento do DHS antes que a Câm...
Na manhã de sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, com o prazo de meia-noite para o financiamento federal se aproximando, o Senado dos Estados Unidos ainda não havia chegado a um acordo sobre o pacote de seis projetos de lei orçamentárias que precisava aprovar para manter o governo federal aberto. O ponto de bloqueio era um único projeto — o projeto de financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS), que supervisiona o ICE, a Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP), a TSA, a FEMA e a Guarda Costeira — mas que os democratas recusaram em bloco aprovar sem que reformas substantivas fossem impostas às operações de aplicação das leis de imigração, conforme relataram o NPR e a PBS News. O catalisador político imediato eram as mortes de dois cidadãos americanos nas semanas anteriores: Renée Good, mãe de três filhos, baleada mortalmente por um agente do ICE em Minneapolis em 7 de janeiro de 2026 durante a Operação Metro Surge, uma ação de força massiva de imigração que havia desdobrado agentes mascarados por toda a área metropolitana de Minneapolis; e Alex Jeffrey Pretti, enfermeiro de UTI de 37 anos que trabalhava no hospital do Departamento de Veteranos de Minneapolis, abatido em 24 de janeiro de 2026 por agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras quando filmava com seu celular e tentou amparar uma mulher que havia sido derrubada por um agente federal — a segunda morte de um cidadão americano nas mãos de agentes federais de imigração em Minneapolis em menos de três semanas, conforme documentaram a Al Jazeera, a PBS News e o NPR.As mortes de Good e Pretti haviam sido filmadas por testemunhas e os vídeos circularam amplamente nas redes sociais, desencadeando ondas de protestos em Minneapolis e em dezenas de outras cidades americanas. Uma pesquisa da Universidade Quinnipiac publicada em 13 de janeiro revelou que 82% dos eleitores registrados haviam visto o vídeo do assassinato de Good — um número que analistas estimavam ter crescido ainda mais com o caso Pretti, conforme registrou a NBC News. O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, disse em coletiva de imprensa: "Quantos residentes, quantos americanos precisam morrer ou se machucar para que esta operação termine?" O governo de Minnesota, sob o governador Tim Walz, havia prometido conduzir investigação criminal estadual própria, mas autoridades federais haviam bloqueado sistematicamente o acesso de investigadores estaduais às evidências, conforme relataram o NPR e a PBS News. O assessor sênior da Casa Branca Stephen Miller havia chamado Pretti de "terrorista doméstico" e "assassino potencial" sem qualquer evidência; a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, classificou a cena como "motim violento" — descrições que contradiziam diretamente os vídeos independentes disponíveis, conforme analisaram o NPR e a PBS News.Diante desse contexto, os democratas do Senado apresentaram ao Comitê de Relações Exteriores uma lista formal de exigências que qualificaram como pré-condições inegociáveis para aprovar qualquer financiamento do DHS: proibição de agentes do ICE e CBP usarem máscaras que ocultem identidade; exigência de câmeras corporais ativas; necessidade de mandados judiciais para entrada em propriedades privadas; exigência de que agentes se identifiquem; coordenação obrigatória com autoridades locais antes de operações; proibição de detenção sem verificação prévia da cidadania; revisão da política de uso da força para equipará-la aos padrões aplicados às forças policiais estaduais e locais; investigações independentes de mortes de civis; e proibição de perseguição de manifestantes com câmeras, conforme documentaram a PBS News e a ABC News. Os republicanos, em sua maioria, rejeitaram essas exigências como intromissão indevida nas operações de segurança nacional, embora alguns — como a senadora Susan Collins do Maine, cujo estado também estava sendo alvo de operações do ICE — tivessem expressado preocupações, conforme o NPR.A quinta-feira 29 de janeiro tinha sido um dia de caos legislativo no Senado. O pacote completo de seis projetos de lei de financiamento foi derrotado às 45 votos a 55 — muito abaixo do limiar de 60 necessário para avançar — com oito republicanos juntando-se a todos os democratas no voto de rejeição, conforme relataram a CNN e o The Hill. Mais tarde, os líderes do Senado chegaram a um acordo com a Casa Branca para separar o projeto do DHS dos outros cinco projetos de financiamento: os cinco projetos seriam aprovados integralmente até setembro de 2026, enquanto o DHS receberia uma extensão temporária de duas semanas para permitir negociações sobre reformas ao ICE — concretamente, as duas semanas que os democratas tinham pedido, conforme a ABC News. O senador Lindsey Graham, da Carolina do Sul, bloqueou o avanço desse acordo chamando-o de "mau negócio" e dizendo que o ICE estava sendo "demonizado" de forma "inadmissível", conforme relatou a CNN. Graham só levantou seu bloqueio depois de Thune garantir a ele uma votação sobre um projeto banindo cidades-santuário, conforme a ABC News.Na noite de sexta-feira 30 para sábado 31, às 71 a 29 votos, o Senado aprovou o pacote revisado — sem o DHS — conforme a Al Jazeera. Mas como a Câmara estava de recesso até segunda-feira, o financiamento federal lapsou exatamente à meia-noite de 31 de janeiro, iniciando um shutdown parcial. Nove departamentos federais foram afetados — DHS, Defesa, Educação, Saúde e Serviços Humanos, Habitação e Desenvolvimento Urbano, Transportes, Estado, Trabalho e Tesouro —, que em conjunto respondiam por mais de 75% do gasto discricionário federal, segundo a Bipartisan Policy Center, conforme citou a CNN. Funções essenciais — como controladores de tráfego aéreo, agentes da TSA e militares — continuariam operando sem remuneração até o fim do shutdown. Cerca de 500.000 trabalhadores federais potencialmente estariam trabalhando sem pagar e outros 480.000 poderiam ser dispensados temporariamente, segundo a Bipartisan Policy Center, conforme a CNN. O ICE e o CBP, contudo, permaneceriam plenamente operacionais: o "One Big Beautiful Bill" de Trump havia alocado US$30 bilhões para operações do ICE e US$45 bilhões para instalações de detenção de forma autônoma, fora do orçamento federal ordinário, conforme explicou o Federal News Network.O líder democrata do Senado, Chuck Schumer, declarou após a votação: "A nação está chegando a um ponto de ruptura. O povo americano está exigindo que o Congresso aja e force mudanças." O líder da maioria republicana, John Thune, disse que esperava resolução até terça-feira e expressou confiança no apoio republicano, conforme relataram a Al Jazeera e a ABC News. O impasse projetou-se imediatamente sobre a agenda da Casa Branca: a pressidenta Karoline Leavitt disse no domingo que Trump seria o "árbitro final" de qualquer mudança na política de execução da imigração, mas que estava disposto a negociar com os democratas — sinalização que o próprio Trump endossou no Truth Social dizendo que "republicanos e democratas se juntaram para financiar a grande maioria do Governo até setembro". Mas a falta de acordo sobre o DHS sinalizava que o impasse poderia se prolongar bem além da previsão inicial, conforme analisaram a CNN e a ABC News.