AIEA confirma construção de reator nuclear secreto na Síria

Segurança e Paz — Oriente Médio

Relatório confidencial revela detalhes sobre as instalações em Deir Az Zor durante o governo de Bashar al-Assad

Confirmação de Instalações NuclearesA Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou que a Síria tentou construir um reator nuclear na província oriental de Deir Az Zor. Essa iniciativa ocorreu sob a liderança do ex-presidente Bashar al-Assad. Um relatório confidencial da agência, divulgado em dois de setembro de 2026, revelou os resultados de verificações in loco realizadas no mês de agosto do mesmo ano. As observações recentes comprovaram a existência de uma infraestrutura de resfriamento plenamente compatível com as operações de um reator nuclear. Esse anúncio oficializa as antigas suspeitas da comunidade internacional sobre o programa atômico não declarado do país árabe.Histórico do Programa SecretoO complexo de Deir Az Zor permaneceu oculto até o ano de 2007. Naquela época, o Estado de Israel realizou ataques aéreos que destruíram grande parte da instalação. O governo de Bashar al-Assad nivelou o terreno logo em seguida e nunca respondeu de forma satisfatória aos questionamentos da comunidade internacional sobre a finalidade daquele espaço. Acreditava-se que o reator destruído contava com a assistência técnica da Coreia do Norte. O governo israelense, que mantém o único programa de armas atômicas não declarado do Oriente Médio, nunca confirmou oficialmente a sua própria posse de arsenal nuclear, adicionando complexidade à dinâmica de segurança regional.Cooperação do Novo Governo SírioA postura de Damasco mudou radicalmente após a remoção de al-Assad do poder em dezembro de 2024. A nova administração síria concordou prontamente em conceder acesso irrestrito aos inspetores da agência das Nações Unidas (ONU). Uma coleta de amostras ambientais no local, realizada no ano passado, já havia indicado a presença de partículas de urânio. Durante a mais recente visita ao país, o diretor-geral da instituição, Rafael Grossi, reuniu-se com o atual ministro das Relações Exteriores da Síria, Asaad Al-Shaibani, nas antigas instalações do Palácio Tishreen. Essa nova abertura diplomática marca um distanciamento claro das práticas de opacidade do regime anterior.Descoberta de Material FíssilA investigação recente também incluiu a inspeção de um local previamente não declarado, cuja existência foi comunicada voluntariamente pela atual gestão em julho de 2026. A equipe sênior de especialistas verificou a presença de aproximadamente 73 toneladas de urânio natural metálico no formato de barras de combustível revestidas. O documento oficial apontou, adicionalmente, a antiga existência de uma fábrica de combustível para o reator e um espaço para armazenamento de resíduos. Todo o material atômico encontrado encontra-se agora sob rigorosas medidas de contenção e vigilância da organização internacional.Perspectivas para a Energia CivilAs novas autoridades locais expressaram o desejo formal de desenvolver um programa de energia nuclear estritamente para fins civis. O governo garantiu que todo o material descoberto permanecerá sob a custódia síria, mas sujeito a salvaguardas internacionais absolutas. Esse cenário demonstra uma busca por legitimidade institucional do país após anos de sanções e isolamento global. Como a comunidade internacional equilibrará o direito soberano ao desenvolvimento energético pacífico com as rigorosas exigências de segurança e não proliferação em uma região historicamente instável?