Ucrânia Reconquistou 400km² no Sul

Segurança e Paz — Europa

Análise semanal da Al Jazeera documenta que forças ucranianas reconquistaram 400km² no sul desde o final de janeiro, enquanto a Rússia atacou o país com mais...

As forças armadas da Ucrânia reconquistaram 400 quilômetros quadrados de território no sul do país desde o final de janeiro de 2026, anunciou o comandante-em-chefe das Forças Armadas ucranianas, Oleksandr Syrskii, conforme documentou a Al Jazeera em análise semanal publicada nesta sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026. A informação, que surpreendia pelo volume de terreno recuperado num conflito cujos avanços eram medidos em metros por dia na maior parte das frentes, vinha acompanhada de um contexto igualmente revelador: na mesma semana do quarto aniversário da invasão, a Rússia havia atacado a Ucrânia com mais de 1.500 drones e ao menos 90 mísseis, numa das semanas mais intensas de ataques aéreos desde o início da guerra.Zelensky declarou que as forças ucranianas haviam reconquistado 300 quilômetros quadrados de território no sul da Ucrânia, sem especificar o período de referência. Dois dias depois, seu comandante-em-chefe, Oleksandr Syrskii, ampliou o número para 400 km², indicando que os ganhos territoriais haviam ocorrido desde o final de janeiro.A direção dos ganhos — no sul, não no leste — tinha significado estratégico particular. O Donbas, no leste, havia sido o epicentro da guerra de atrito dos últimos dois anos, com avanços russos medidos em dezenas de metros por dia e custos humanos extraordinários para ambos os lados. Os avanços ucranianos no sul — numa região de maior mobilidade e com linhas de suprimento russas mais longas — sugeriam que Kiev havia identificado uma janela de vulnerabilidade nas linhas russas naquela direção e estava explorando-a enquanto Moscou concentrava esforços no Donbas.A Rússia atacou a Ucrânia durante a semana com pouco mais de 1.500 drones e ao menos 90 mísseis, mas os dois maiores ataques vieram dois dias antes e dois dias após o aniversário. No domingo, a Rússia lançou 197 drones e 50 mísseis. A Ucrânia derrubou todos menos 26 drones e 31 mísseis. Na quinta-feira, a Rússia lançou 420 drones e 39 mísseis. A Ucrânia neutralizou 90% dos drones e 30 mísseis. "De fato conseguimos proteger instalações muito importantes", disse Zelensky.O dado sobre a taxa de intercepção ucraniana — 90% dos drones na quinta-feira — era notável. Para alcançar mesmo essa taxa de sucesso, a Rússia parecia usar toda a sua capacidade de produção. "Todos os balísticos que chegam até nós foram fabricados no final de 2025 — início de 2026", declarou uma fonte militar ucraniana, sugerindo que Moscou havia esgotado seus estoques de produção anterior.No campo das negociações de paz, a semana havia sido marcada por avanços sem breakthrough. Delegações ucranianas e americanas se encontraram novamente em Genebra para discutir a reconstrução pós-guerra, enquanto enviados russos e americanos também tinham conversas separadas, segundo a Reuters. O histórico das negociações trilaterais seguia a mesma dinâmica: progressos incrementais sem concessões fundamentais, especialmente na questão territorial do Donbas, onde a Rússia continuava a exigir controle sobre a totalidade da região como condição para qualquer acordo.Funcionários ucranianos e americanos voltaram a se reunir em Genebra numa quinta-feira para discutir a reconstrução pós-guerra, mesmo com um acordo para encerrar a guerra ainda sendo difícil de alcançar, reportou a Reuters. O enviado econômico especial de Putin, Kirill Dmitriev, disse que funcionários russos também realizaram conversas com funcionários americanos na quinta-feira, segundo a agência RIA Novosti.A Rússia disse que retaliaria contra a decisão da União Europeia de reduzir a representação diplomática de Moscou em Bruxelas para 40 pessoas, e que a decisão mostrava que a UE não merecia participar das negociações para encerrar a guerra na Ucrânia. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, descreveu a decisão europeia de limitar o tamanho da missão russa como "discriminatória" e disse que não ficaria sem resposta.Um especialista em mísseis, Fabian Hoffman, disse ser "a primeira vez que a Ucrânia atacou com sucesso um alvo central da indústria de mísseis da Rússia diretamente, usando uma capacidade pesada de mísseis". A instalação atacada fabricava uma série de mísseis balísticos, incluindo o "imparável" Oreshnik — míssil balístico de médio alcance que a Rússia havia estacionado na Bielorrússia e com o qual havia ameaçado repetidamente a Europa.Um drone russo suspeito se aproximou do porta-aviões Charles de Gaulle da França enquanto estava atracado no porto sueco de Malmö. O ministro sueco da Defesa, Pål Jonson, confirmou que havia ocorrido uma violação do espaço aéreo sueco ao mesmo tempo em que um navio militar russo estava em águas suecas. A Romênia mobilizou caças quando um drone violou seu espaço aéreo nacional durante um ataque russo à infraestrutura ucraniana perto da fronteira — a segunda violação em dois dias consecutivos.Para o Brasil, a análise semanal da Al Jazeera de 27 de fevereiro reforçava a complexidade do conflito: a Ucrânia avançava militarmente no sul ao mesmo tempo em que negociava em Genebra, enquanto a Rússia escalava os ataques aéreos e ameaçava retaliar contra a UE. O quadro revelava que a "guerra de desgaste" continuava com toda força mesmo durante o processo diplomático — um padrão que o Itamaraty observava com preocupação crescente, dado seu impacto sobre qualquer perspectiva de resolução negociada que o Brasil defendia nos foros multilaterais.