Meta assina acordos bilionários com três empresas nucleares para abastecer data centers...
Energia — América do Norte
Meta anuncia acordos com as empresas Vistra, TerraPower e Oklo para garantir até 6,6 gigawatts de energia nuclear até 2035, destinados a abastecer seus data ...
A gigante de tecnologia Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, anunciou na última semana um ambicioso pacote de acordos com três empresas do setor nuclear americano para garantir o fornecimento de energia limpa e estável para seus data centers, cada vez mais demandados pelo avanço da inteligência artificial generativa. As parcerias, firmadas com a Vistra, a TerraPower e a Oklo, preveem a adição de até 6,6 gigawatts (GW) de capacidade de geração nuclear até 2035, volume suficiente para abastecer cerca de 6 milhões de residências americanas, conforme informações divulgadas pela agência Central de Notícias de Taiwan (CNA) e confirmadas por outras fontes do setor energético.Os acordos representam um movimento estratégico de longo prazo da Meta para assegurar que sua expansão no campo da inteligência artificial não seja limitada por restrições energéticas. Joel Kaplan, diretor de Relações Globais da Meta, afirmou em comunicado oficial que "a energia nuclear ajudará a alimentar nosso futuro de IA, fortalecerá a infraestrutura energética do país e fornecerá eletricidade limpa e confiável para todos". A declaração reflete a crescente preocupação das big techs com o consumo energético de seus data centers, especialmente à medida que modelos de IA se tornam mais complexos e demandam poder computacional exponencialmente maior.Com a Vistra, uma das maiores geradoras de energia dos Estados Unidos, a Meta firmou um compromisso de compra de mais de 2,1 GW de eletricidade proveniente de duas usinas nucleares em operação no estado de Ohio — Perry e Oak Harbor — além de uma terceira unidade, a Beaver Valley, localizada na Pensilvânia. O acordo prevê ainda investimentos para a extensão da vida útil dessas instalações e para aumentos de capacidade, com a adição de 433 megawatts (MW) de nova geração até o início da década de 2030. Jim Burke, CEO da Vistra, destacou que "este compromisso da Meta proporciona à Vistra a segurança necessária para investir nessas usinas e comunidades e para colocar nova geração nuclear em funcionamento na rede elétrica".Paralelamente, a Meta firmou parceria com a TerraPower, empresa fundada por Bill Gates e dedicada ao desenvolvimento de tecnologias nucleares avançadas. O acordo prevê o financiamento para a construção de duas novas unidades do reator Natrium, capazes de gerar até 690 MW cada, com entrega prevista a partir de 2032. Além disso, a Meta garantiu direitos de compra de energia de até outras seis unidades Natrium que venham a ser construídas no futuro, adicionando potencialmente mais 2,1 GW à rede. A tecnologia Natrium, que combina um reator rápido de sódio com um sistema de armazenamento em sal fundido, é considerada uma das apostas mais promissoras para a nova geração de usinas nucleares.O terceiro pilar da estratégia energética da Meta envolve a Oklo, empresa que conta com Sam Altman, CEO da OpenAI, como um de seus principais investidores. A parceria prevê o desenvolvimento de um complexo de até 1,2 GW no Condado de Pike, Ohio, baseado na tecnologia de pequenos reatores modulares (SMRs, na sigla em inglês). A energia gerada será destinada prioritariamente ao supercluster de IA Prometheus, um megaprojeto de data center que a Meta está construindo em New Albany, Ohio, e que deve entrar em operação ainda em 2026. Os reatores da Oklo, projetados para serem mais compactos e de implantação mais rápida que as usinas convencionais, representam uma aposta em soluções energéticas descentralizadas e escaláveis.A Meta fez questão de ressaltar que arcará com a totalidade dos custos da energia consumida por seus data centers, afastando o temor de que os investimentos em nova capacidade nuclear fossem repassados às contas de luz dos consumidores comuns. Em nota, a empresa afirmou que "estes projetos adicionam energia firme e confiável à rede, reforçam a cadeia de suprimentos nuclear dos Estados Unidos e apoiam empregos novos e existentes na construção e operação de usinas americanas".Os acordos anunciados agora se somam a uma parceria anterior, firmada em meados de 2025, com a Constellation Energy, que garantiu à Meta o fornecimento de 1,12 GW provenientes da usina nuclear de Clinton, em Illinois, por um período de 20 anos. O conjunto de contratos posiciona a Meta como uma das maiores compradoras corporativas de energia nuclear da história dos Estados Unidos, ao lado de outras gigantes de tecnologia como Google e Amazon, que também têm firmado acordos semelhantes nos últimos meses.A corrida das big techs pela energia nuclear reflete uma realidade incontornável: a expansão da inteligência artificial generativa exige data centers cada vez maiores e mais potentes, operando 24 horas por dia, sete dias por semana. Fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica, embora fundamentais para a matriz energética, não conseguem garantir sozinhas a estabilidade necessária para operações dessa magnitude. A energia nuclear, com sua capacidade de geração contínua e livre de emissões de carbono, emerge como a alternativa mais viável para conciliar a explosão de demanda computacional com os compromissos de sustentabilidade assumidos pelas empresas de tecnologia.