Chanceleres do MERCOSUL debatem integração e novas metas comerciais
Integração Regional — América do Sul
Encontro discute avanços no acordo com a União Europeia, modernização do bloco e o fortalecimento do FOCEM.
A Reunião de ChanceleresOs ministros das Relações Exteriores dos Estados Partes do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) reuniram-se no dia 2 de setembro de 2026, no Palácio Santos, em Montevidéu, para uma sessão informal convocada pela Presidência Pro Tempore do Uruguai. O encontro buscou afastar formalidades rígidas em favor de um diálogo franco e maduro, permitindo que os chefes da diplomacia de Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai abordassem temas sensíveis com maior flexibilidade. O clima de cooperação foi destacado como um sinal da resiliência do bloco e da vontade política de promover uma integração mais profunda.Pautas estratégicasAs discussões centraram-se em tópicos cruciais para a dinâmica interna e o desenvolvimento equilibrado entre os membros. Um ponto fundamental foi a reforma e o reforço do Fundo para a Convergência Estrutural do MERCOSUL (FOCEM), mecanismo essencial para a redução de assimetrias regionais, no qual o Brasil sinalizou a intenção de aportar 100 milhões de dólares anuais pelo período de uma década. A pauta incluiu ainda a necessidade de modernização institucional do bloco para que este consiga responder com celeridade às rápidas transformações observadas no cenário global. Paralelamente, o encontro debateu a gestão de tarifas alfandegárias decorrentes do acordo comercial com a União Europeia, tópico que não viu um consenso final por parte dos chanceleres, uma vez que persistem diferenças importantes na distribuição das cotas entre os Estados Partes. O Paraguai apresentou uma proposta que sugere a distribuição equitativa das cotas, fixando o percentual de 25% para cada país, ponto que ainda demanda maior alinhamento político e técnico.Relações externas e comércioO bloco consolidou-se como uma plataforma relevante de inserção internacional, atingindo a marca de 438 bilhões de dólares em trocas comerciais com o restante do mundo apenas no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 9% na comparação anual. Durante o encontro, os ministros debateram o avanço das negociações com parceiros estratégicos como Emirados Árabes Unidos, Canadá, Vietnã, Índia, Japão e Indonésia, estabelecendo a criação de grupos de alto nível para acelerar tais tratativas. Este dinamismo externo complementa a robusta integração intrarregional, que desde 1991 elevou o comércio entre os membros de 4,5 bilhões para cerca de 51 bilhões de dólares em 2025, com uma pauta de exportações composta majoritariamente por bens manufaturados.Desafios bilaterais e próximos passosApesar do compromisso renovado com a agenda comum, o encontro também permitiu o debate sobre tensões pontuais, como a recente suspensão europeia às importações de carne brasileira e o projeto de instalação de uma planta de hidrogênio verde no Uruguai. Os chanceleres enfatizaram a importância de assegurar que os acordos internacionais atuem como vetores de expansão comercial e não como fontes de bloqueios setoriais, demandando consultas técnicas contínuas para a resolução de entraves. O grupo encerrou a reunião reafirmando o calendário de preparativos para a Cúpula de Presidentes de dezembro, momento em que se espera consolidar as diretrizes discutidas e avançar na agenda de inserção internacional do MERCOSUL.