China rejeita acusações de ciberespionagem contra sistemas estatais do Paraguai
Segurança e Paz — Global
Pequim rebate denúncias de Washington e Assunção sobre a suposta atuação do grupo Flax Typhoon em sistemas governamentais sul-americanos.
Pequim contesta acusaçõesO Ministério das Relações Exteriores da República Popular da China (RPC) rejeitou enfaticamente as acusações de infiltração cibernética formuladas pelos governos dos Estados Unidos e do Paraguai. O porta-voz da diplomacia chinesa declarou que Washington utiliza a pauta da segurança cibernética como um pretexto político para desacreditar o país asiático no cenário internacional, e exortou as nações latino-americanas a não atuarem como instrumentos da geopolítica estadunidense. O governo chinês relembra sua oposição histórica a qualquer atividade de pirataria informática e à difusão de campanhas de desinformação. Esse embate retórico consolida um novo capítulo nas disputas narrativas sobre o controle do espaço virtual global.Atividade do grupo Flax TyphoonA crise institucional ganhou contornos práticos na semana anterior, quando as autoridades estadunidenses e paraguaias anunciaram os resultados de uma revisão conjunta de segurança digital. O Ministério de Tecnologias da Informação e Comunicação (MITIC) do Paraguai identificou a infiltração de múltiplos atores de ameaça em seus servidores governamentais e divulgou que o padrão das invasões corresponde às táticas rotineiras de grupos operados pelo governo chinês, apontando especificamente para a organização Flax Typhoon. Em resposta à gravidade da situação, o Ministério Público paraguaio determinou a abertura imediata de uma investigação penal para apurar a extensão do acesso indevido aos dados estatais.Relações com TaiwanO incidente expõe a posição delicada mantida pelo Paraguai diante da China, por ser o único país da América do Sul a preservar vínculos oficiais com Taiwan. O presidente paraguaio, Santiago Peña, relacionou as sucessivas tentativas de invasão aos sistemas nacionais, detectadas inicialmente em 2024, à postura firme de seu governo em manter o reconhecimento diplomático da ilha autogovernada. Pequim considera Taiwan uma parte inalienável de seu território e exerce forte pressão política sobre as nações que sustentam essa aliança. Veículos da imprensa vinculados ao partido comunista chinês criticaram duramente Assunção, classificando a tentativa do país vizinho de ampliar laços comerciais com a China sem romper com Taipei como uma estratégia oportunista e contraditória.Ameaça transnacional impulsiona marcos regulatóriosEpisódios de tensão cibernética reforçam a importância das políticas de proteção de dados de modo geral. Não à toa, o fortalecimento da soberania digital tornou-se um vetor inegociável da política externa contemporânea do Brasil. Em 2026, o governo avança fortemente com a implementação de seu próprio Marco Legal da Cibersegurança e da Estratégia Nacional de Cibersegurança (E-Ciber). Essa nova diretriz jurídica estabelece obrigações rigorosas para reduzir a exposição de redes essenciais a ataques estrangeiros, priorizando a resiliência das instituições financeiras e das estruturas de defesa do país. Diante do caso paraguaio, a formulação de protocolos de proteção consolida-se como um requisito prático central para garantir a autonomia tecnológica nacional.