Nobel Exige Soltura de Ativista Iraniana
Direitos Humanos — Oriente Médio
Comitê Norueguês do Nobel publica declaração de alarme sobre maus-tratos sofridos por Narges Mohammadi, presa no Irã desde dezembro de 2025 e recenteme...
Notícia (Português)O Comitê Norueguês do Nobel emitiu nesta quarta-feira, 12 de fevereiro de 2026, uma declaração de profundo alarme sobre as condições de detenção e o estado de saúde da laureada com o Prêmio Nobel da Paz de 2023, a ativista iraniana Narges Mohammadi, e exigiu sua libertação imediata e incondicional pelas autoridades do Irã. A nota cita "fontes confiáveis e bem documentadas dentro do Irã" para descrever o tratamento que Mohammadi recebeu desde sua prisão, em dezembro de 2025, como cruel, degradante e que coloca sua vida em risco.Segundo o Comitê, Mohammadi foi violentamente detida por agentes de segurança à paisana em 12 de dezembro de 2025, enquanto participava em Mashhad do velório do advogado de direitos humanos Khosrow Alikordi. Testemunhas oculares e relatos verificados de seus familiares descrevem o momento da prisão com extrema brutalidade: agentes formaram um corredor ao redor da ativista, batendo nela repetidamente com bastões e cassetetes de madeira; ela foi arrastada pelo chão pelo cabelo, com lacerações no couro cabeludo causando ferimentos abertos. A violência continuou no interior do veículo que a transportava para a detenção.Após a prisão, Mohammadi foi submetida a interrogatórios pesados e intimidação sistemática. Ela desmaiou diversas vezes nas instalações de detenção e sofre de pressão arterial perigosamente elevada. Apesar de apresentar suspeita de tumores mamários, foi impedida de receber acompanhamento médico adequado. Em 8 de fevereiro de 2026 — quatro dias antes da publicação da declaração —, um tribunal iraniano a condenou a sete anos e meio de prisão e dois anos de exílio interno em Hormozgan, no sul do país, por acusações de "conspiração" e "propaganda contra o regime". A sentença soma-se a outras penas anteriores, num total acumulado que torna sua situação ainda mais grave.Jørgen Watne Frydnes, presidente do Comitê Norueguês do Nobel, concedeu entrevista à CNN Internacional e a Christiane Amanpour nesta quarta-feira, expressando que o Comitê se sente "horrorizado" com os relatos recebidos sobre o caso. Frydnes manifestou preocupação direta sobre a vida de Mohammadi, afirmando que o Comitê teme que ela possa "não sobreviver por muito mais tempo" diante da gravidade de seu estado clínico e das condições às quais está submetida. Ele vinculou o tratamento sofrido por Mohammadi ao padrão mais amplo de repressão que se seguiu às manifestações em massa ocorridas no Irã em janeiro de 2026.A declaração do Comitê afirma que o encarceramento de Mohammadi é arbitrário e injusto, e que o único "crime" cometido por ela é o exercício pacífico de seus direitos fundamentais — liberdade de expressão, de associação e de reunião — em defesa da igualdade das mulheres e da dignidade humana. O Comitê apelou à comunidade internacional para que aumente a pressão sobre Teerã e exigiu que governos em contato com o Irã incluam a libertação imediata de Mohammadi como condição explícita em suas interações diplomáticas.Mohammadi, de 53 anos, é uma das vozes mais proeminentes dos direitos humanos no Irã. Ao longo de três décadas de ativismo, foi presa repetidamente pelas autoridades iranianas por seu trabalho em defesa dos direitos das mulheres e pela campanha pela abolição da pena de morte. Ela foi galardoada com o Prêmio Nobel da Paz em 2023, enquanto se encontrava detida na prisão de Evin, em Teerã — um dos estabelecimentos prisionais mais notórios do mundo por suas condições desumanas. O discurso de aceitação do prêmio foi lido, em cerimônia em Oslo, por seus filhos adolescentes Ali e Kiana Rahmani.Em novembro de 2024, havia sido revelado que Mohammadi havia sido submetida a uma cirurgia complexa em que parte de um osso da perna direita foi removida por suspeita de câncer, tendo sido imediatamente devolvida à prisão após o procedimento, sem recuperação adequada. Ela foi temporariamente libertada em licença médica em dezembro de 2024, mas foi novamente presa em 12 de dezembro de 2025. Em fevereiro de 2026, encerrou uma greve de fome que havia iniciado em protesto contra o que denominava "detenção ilegal, condições prisionais deploráveis e negação de contato com sua família e advogados".O Comitê também aproveitou a declaração para pedir a libertação de "todos os presos políticos e prisioneiros de consciência que estejam detidos pelo exercício legítimo de seus direitos", instando as autoridades iranianas a garantir que "sua dignidade humana básica e sua segurança sejam protegidas". A declaração surge em momento de agudíssima tensão diplomática envolvendo o Irã, com negociações nucleares indiretas em curso entre Washington e Teerã, sob mediação de Omã, e com crescente mobilização militar americana na região.