Governo brasileiro projeta exportar mais vacinas à América Latina

Economia e Comércio — América Latina

A iniciativa foi destacada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin como parte das metas industriais até 2033.

Expansão produtiva e foco regionalO Poder Executivo federal estruturou uma estratégia para transformar o país em um fornecedor regional de tecnologias médicas. O governo brasileiro anunciou, em 22 de outubro de 2026, o plano de ampliar a fabricação nacional de vacinas, medicamentos e insumos farmacêuticos para abastecer o mercado doméstico e expandir as exportações para a América Latina. A diretriz foi detalhada pelo vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, dentro das ações do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A medida integra a Missão 2 do programa Nova Indústria Brasil (NIB), voltada ao fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS). O objetivo central estabelece que a indústria instalada no território nacional supra 70% da demanda do Sistema Único de Saúde (SUS) até 2033. Essa meta de longo prazo responde a gargalos comerciais históricos enfrentados pela economia brasileira.Redução do déficit e incentivosO setor de saúde representa o segundo maior déficit da balança comercial do país, atrás apenas da área de tecnologia da informação. O segmento movimenta cerca de R$ 1,2 trilhão por ano, valor equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB), mas ainda importa mais de 90% dos insumos farmacêuticos ativos (IFAs). Para reverter essa dependência externa, o índice de produção local passou de 42% em 2024 para o patamar de 50% em 2026. O avanço conta com linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para estimular a venda externa de remédios fabricados no país. Além do financiamento, a regulamentação da reforma tributária reduziu de 60% a 100% a alíquota do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) para medicamentos e aplicou o regime de ex-tarifário para zerar tributos de matérias-primas sem similar nacional. Esse ambiente de estímulo econômico caminha lado a lado com o fortalecimento da capacidade científica nos laboratórios nacionais.Avanço global em pesquisas clínicasA competitividade internacional da indústria farmacêutica brasileira depende diretamente da geração local de patentes e novos tratamentos. No intervalo de dois anos, o Brasil subiu da 18ª para a 12ª colocação no ranking mundial de estudos clínicos iniciados. Essa evolução aproxima universidades, centros de pesquisa e laboratórios privados, acelerando a criação de terapias próprias. O domínio de etapas tecnológicas complexas reduz os custos de produção e qualifica os produtos brasileiros para competir nas compras públicas dos países sul-americanos. A busca por autonomia sanitária observada no Brasil também reflete movimentos semelhantes em outras nações em desenvolvimento.Paralelos sanitários no Sul GlobalA priorização da indústria médica ocorre de maneira simultânea entre os membros e parceiros do agrupamento formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS). No Egito, a Autoridade Egípcia de Medicamentos (EDA) registrou a expansão do mercado farmacêutico local de aproximadamente US$ 2 bilhões para US$ 8 bilhões (cerca de R$ 40 bilhões) em 2025, com 150 fábricas em operação para consolidar o país como polo exportador na África. Enquanto isso, a Índia direciona sua capacidade produtiva para eliminar as hepatites B e C até 2030, cumprindo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). O Vietnã, por sua vez, aplica inteligência artificial (IA) para aprimorar diagnósticos em hospitais rurais e evitar a transferência de pacientes. Essas políticas demonstram que a soberania na produção de insumos médicos consolidou-se como instrumento de inserção comercial e diplomática em 2026.