Relatório projeta reconstrução de Gaza em 71 bilhões de dólares

Segurança e Paz — Oriente Médio

Estudo conjunto liderado pela Oxfam e instituições locais alerta que o plano de recuperação da infraestrutura civil durará uma década e requer protagonismo d...

Avaliação financeira e humanitária da reconstrução de GazaA recuperação da Faixa de Gaza exigirá um investimento de 71,4 bilhões de dólares ao longo da próxima década, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (23) por um consórcio internacional. O relatório conjunto, liderado pela confederação Oxfam ao lado do Instituto de Pesquisa de Política Econômica da Palestina (MAS) e do Centro de Comércio da Palestina (PalTrade), baseia-se na Avaliação Rápida de Danos e Necessidades elaborada pela Organização das Nações Unidas (ONU), União Europeia (UE) e Banco Mundial. O documento detalha que o valor representa sete vezes o montante gasto em todas as ofensivas militares anteriores na região durante as últimas duas décadas. A análise inicial aponta para um cenário de devastação sem precedentes, com mais de 73 mil mortos e 1,9 milhão de deslocados. Diante dessa catástrofe estrutural, as organizações alertam que a comunidade internacional precisará de um compromisso financeiro robusto para viabilizar o retorno à normalidade.Protagonismo palestino como exigência políticaO sucesso do plano de recuperação depende fundamentalmente da liderança palestina no processo de tomada de decisões. Misyef Jamil, pesquisador sênior do MAS, afirmou que um projeto desenhado exclusivamente em capitais estrangeiras representaria apenas uma nova forma de controle sobre as terras palestinas, caracterizando-se como um exercício puramente cosmético. O documento reforça a mensagem unânime colhida em consultas locais, a qual exige que o futuro de Gaza seja moldado por seus próprios habitantes. Historicamente, a dependência excessiva de doadores externos em áreas de conflito tende a enfraquecer a formação de mercados internos autônomos. Qual seria, portanto, o modelo ideal de governança para garantir a recuperação econômica e social duradoura da região?Escala de destruição e os desafios logísticos iniciaisOs obstáculos físicos no terreno representam o primeiro grande desafio logístico para as futuras equipes de engenharia e resgate. Atualmente, o enclave acumula 66 milhões de toneladas de escombros, o equivalente à massa de onze Pirâmides de Gizé, bloqueando bairros inteiros e isolando pessoas com deficiência física. Sob essas ruínas, estima-se que existam milhares de corpos não recuperados e artefatos explosivos não detonados, além de materiais tóxicos espalhados pelo ambiente urbano. A limpeza inicial exigirá equipamentos especializados e amplo amparo técnico, configurando uma etapa altamente perigosa e demorada. Essa fase preparatória é rigorosamente indispensável para que qualquer fundação de infraestrutura civil possa ser reerguida com segurança.Planejamento estruturado e o impacto diplomáticoPara organizar a execução das obras, o consórcio delineou um roteiro estratégico dividido em quatro fases progressivas e interdependentes. O plano abrange desde o alívio emergencial imediato, orçado em 10 bilhões de dólares para garantir acesso humanitário, até o desenvolvimento a longo prazo focado no fortalecimento comercial independente. A segunda e a terceira etapas priorizam a restauração de serviços essenciais, como a reconstrução de escolas e hospitais, os quais sofreram danos incalculáveis. No contexto diplomático de 2026, o governo brasileiro manifestou repetidamente nos fóruns multilaterais a sua defesa por um modelo de reconstrução considerado justo, que priorize a dignidade e a participação ativa da sociedade civil local. A efetivação criteriosa dessas fases de estabilização ditará se a região conseguirá, de fato, alcançar uma independência institucional sustentável no futuro.