EUA anunciam saída de 66 organizações internacionais em movimento que redefine o papel ...
Governança Global — América do Norte
Em reconfiguração radical da política externa, governo Trump anuncia retirada de 66 organizações internacionais, incluindo a Convenção do Clima da ONU (UNFCC...
Em uma das mudanças mais profundas da política externa dos Estados Unidos em anos, a administração do presidente Donald Trump anunciou na manhã de 8 de janeiro de 2026 a retirada formal do país de 66 organizações internacionais, incluindo 31 entidades vinculadas às Nações Unidas e 35 grupos não-ONU, segundo comunicado oficial divulgado pela Casa Branca e relatado pela Associated Press.A medida, assinada por Trump por meio de um memorando presidencial emitido em 7 de janeiro, instruindo a execução imediata da saída, foi justificada pela administração como uma defesa dos “interesses nacionais dos Estados Unidos”. O governo argumentou que muitas dessas instituições operam “contrariamente aos interesses econômicos, de segurança e de soberania” de Washington, e que décadas de participação não resultaram em melhorias proporcionais para os cidadãos norte-americanos.Entre os organismos dos quais os Estados Unidos vão se retirar está a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) — tratado base para negociações globais de clima desde a assinatura do Acordo de Paris — bem como grupos que tratam de gênero, direitos humanos, migração, trabalho, ciência e desenvolvimento, de acordo com a lista preliminar apresentada no memorando e complementada por fontes associadas à AP News.O secretário de Estado, Marco Rubio, disse em declaração que “a administração encontrou muitas dessas instituições redundantes, mal administradas ou pautadas por agendas que colocam prioridades ideológicas acima da prosperidade e liberdade americanas.” Rubio descartou que os EUA estejam abandonando a cena global, afirmando que pretende “refocar recursos e atenção em organismos que efetivamente promovem segurança e oportunidades para o povo norte-americano”.Especialistas em relações internacionais e membros de partidos políticos rivais reagiram com ceticismo. Daniel Forti, chefe de assuntos de ONU no International Crisis Group, afirmou que a decisão representa “uma visão unilateral de liderança global, que pode comprometer seriamente a capacidade dos EUA de moldar normas internacionais em áreas cruciais como clima, saúde pública e direitos humanos.”As críticas se estendem à preocupação de que a saída da UNFCCC e de agências ligadas à igualdade de gênero e proteção de populações vulneráveis possa enfraquecer respostas globais coordenadas a desafios crescentes. Organizações ambientalistas enfatizaram que a ausência dos EUA pode dar espaço a outras potências — como a China e a União Europeia — para definir agendas de desenvolvimento e regulação climática sem a participação ativa americana, o que poderia deslocar centros de influência em temas centrais para o século XXI.No início da década de 2020, a postura dos Estados Unidos em relação a organismos multilaterais já havia se tornado mais cautelosa, com reduções de financiamento ao Conselho de Direitos Humanos da ONU e à UNESCO, bem como a saída de outras entidades como a Organização Mundial da Saúde no início de 2026. A decisão atual é vista como um aprofundamento dessa tendência, reforçando o debate sobre multilateralismo versus soberania nacional na política externa estadunidense.Embora os impactos completos ainda estejam por ser avaliados, aliados europeus expressaram cautela, com autoridades da UE alertando sobre possíveis lacunas na cooperação em questões que vão desde migração até padrões de comércio global. A decisão também deverá dominar discussões em fóruns como o Conselho de Segurança da ONU e na Assembleia Geral nos próximos meses.