CELAC exige latino-americano no comando da ONU
Governança Global — América Latina
O pedido foi enviado ao Conselho de Segurança para suceder António Guterres em 2027.
Pedido conjunto em Nova IorqueOs 33 países da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) exigiram hoje, em Nova Iorque, que um representante da região seja escolhido como o próximo Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). A reivindicação oficial foi apresentada em declaração conjunta para definir o sucessor do português António Guterres, cujo segundo mandato termina em 31 de dezembro de 2026. O comunicado foi lido pela representante do Uruguai, cujo país assumiu a presidência temporária do bloco em 2026 com apoio político do Brasil, da Colômbia e do México. Essa demanda coletiva baseia-se no princípio de equilíbrio e rodízio geográfico entre os continentes.Candidatos da região na disputaA América Latina e o Caribe sustentam o direito de liderar o Secretariado para corrigir uma defasagem histórica, pois a região ocupou o cargo apenas uma vez entre 1982 e 1991. Atualmente, cinco nomes do bloco concorrem na sucessão: a costarriquenha Rebeca Grynspan, secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), o argentino Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), a ex-ministra da Guiana Carolyn Rodrigues-Birkett e as equatorianas María Fernanda Espinosa e Ivonne A-Baki. A ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, retirou sua candidatura em setembro de 2026. Fora do eixo latino-americano, a disputa conta com o diplomata ugandense Olara Otunnu e com a ministra de Estado dos Emirados Árabes Unidos, Lana Nusseibeh, inscrita em 21 de outubro para ampliar a concorrência ao Oriente Médio.Impasse no Conselho de SegurançaApesar de os nomes latino-americanos liderarem as votações indicativas realizadas desde julho de 2026, a escolha enfrenta bloqueios a pouco mais de dois meses do fim da gestão de Guterres. Pelas regras da Carta da ONU, o Secretário-Geral é escolhido mediante recomendação do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) e posterior aprovação da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU). Até agora, os 15 membros do Conselho não alcançaram consenso devido às divisões entre os cinco integrantes permanentes com poder de veto (Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido). Nas consultas informais mais recentes, Rebeca Grynspan obteve nove votos favoráveis e cinco contrários, enquanto Rafael Grossi e Carolyn Rodrigues-Birkett registraram oito apoios e seis rejeições cada. Essa paralisia decisória reflete as tensões geopolíticas que afetam o funcionamento da organização.Crise multilateral e posição regionalO Brasil e os demais governos sul-americanos integram essa articulação diplomática afirmando que chegou o momento de um cidadão latino-americano e caribenho assumir o posto máximo da entidade para garantir um sistema internacional mais inclusivo e representativo. Essa articulação diplomática defende tanto o rodízio regional quanto a reforma da governança global para ampliar a voz dos países em desenvolvimento nas decisões de paz e segurança. A nomeação final do novo Secretário-Geral da ONU pela Assembleia Geral deve ocorrer no final de 2026, em meio a uma fase de crise financeira da ONU, com cortes orçamentários e multiplicação de conflitos armados que dificultam a mediação internacional da Organização. Diante da fragmentação entre as potências detentoras de veto, o desafio para os países da CELAC é unificar o apoio em torno de um único nome regional para evitar a perda da vaga para outra região.