Zelensky Declara que Putin Iniciou 3ª Guerra

Segurança e Paz — Europa

Em blitz de mídia às vésperas do quarto aniversário da invasão total, Zelensky afirma à BBC que Putin já iniciou a Terceira Guerra Mundial e que a Ucrânia es...

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky realizou neste domingo, 22 de fevereiro de 2026, uma intensa blitz midiática — concedendo entrevistas simultâneas à BBC, CNN, AFP, Politico e Financial Times —, às vésperas do quarto aniversário da invasão total russa do território ucraniano, marcada para 24 de fevereiro. O conjunto das declarações compôs o quadro mais abrangente da visão do presidente ucraniano sobre o conflito, sobre as negociações de paz e sobre o papel dos EUA naquele momento decisivo da guerra — um dia em que a Ucrânia completava 1.459 dias de combate contra a Rússia.Numa das declarações mais impactantes da maratona midiática, Zelensky disse à BBC que o presidente russo Vladimir Putin "de certa forma, já iniciou a Terceira Guerra Mundial" e que a Ucrânia estava impedindo que essa guerra se tornasse um conflito de escala global ainda maior. "A questão é quanta territory ele conseguirá tomar e como pará-lo", afirmou Zelensky. "Acredito — e há muito tempo acredito — que Putin já iniciou esta guerra, e nós estamos impedindo que ela se torne uma Terceira Guerra Mundial ampla e total." A declaração era um esforço deliberado de enquadramento: posicionando a resistência ucraniana não apenas como defesa nacional, mas como um serviço prestado à segurança global inteira.Ao canal CNN, Zelensky fez um apelo emocional direto ao presidente Trump: "Quero que ele fique do nosso lado." A frase, repetida em variações ao longo das diferentes entrevistas, revelava a profundidade da preocupação ucraniana com a percepção de que a atual administração americana havia se afastado da posição de apoio irrestrito a Kiev que caracterizara o governo Biden. Zelensky também disse à CNN que Trump estava propondo uma "grande cerimônia" para a assinatura simultânea de todos os documentos de um eventual acordo de paz — descrevendo-o, portanto, como um evento com dimensão política e simbólica para o presidente americano.Zelensky abordou ao Politico a questão das eleições ucranianas com a sofisticação que se tornara sua marca registrada no campo diplomático. Rejeitou categoricamente a afirmação de que era "contra" as eleições, mas disse que seria "terrível" realizá-las sob ataque. Disse estar "feliz" com a ideia das eleições e disposto a realizá-las "o mais rapidamente possível" assim que a guerra terminasse. Ao mesmo tempo, reafirmou que 90% dos ucranianos opõem-se às eleições durante a guerra — dado do Instituto Sociológico Internacional de Kiev (KIIS) confirmado por pesquisas publicadas na semana anterior. Quando perguntado se concorreria à reeleição, disse que era "uma questão para mais tarde" e que ainda não havia decidido.Na entrevista ao Financial Times, Zelensky declarou que a Ucrânia estava no "início do fim" da guerra — expressão que viralizou rapidamente e que foi lida por observadores como uma tentativa de enquadrar positivamente um momento de grande estresse nas negociações. Quando questionado sobre as perdas e sobre o controle territorial russo, Zelensky admitiu que as perdas "dos dois lados são enormes" e que "apenas pessoas loucas pensam em vencer a qualquer custo". Sobre as negociações em curso, Zelensky disse que continuava a trabalhar "todo dia" para que a próxima rodada de negociações "pudesse entregar resultados para a Ucrânia e para a paz", e que coordenava estreitamente com parceiros europeus para garantir que a UE estivesse "envolvida em todos os processos".Em declaração que ressoou em todas as capitais ocidentais, Zelensky afirmou neste domingo que qualquer acordo de paz "não pode ser apenas assinado" — devia ser "aceito pelos ucranianos". "Não podemos, não devemos entregar [o que foi conquistado], esquecer, trair. Esse é o preço pago pelos ucranianos." A frase era uma resposta implícita às pressões crescentes de setores da diplomacia americana e de aliados para que Kiev fizesse concessões territoriais como parte de um acordo negociado. Zelensky também voltou a exigir que a Europa fosse "totalmente incluída" no processo de paz — do qual havia sido progressivamente excluída nas negociações diretas EUA-Rússia conduzidas por Witkoff e Kushner.No campo militar, o dia 22 de fevereiro foi marcado por ataques russos que mataram quatro pessoas na região de Sumy, incluindo um adolescente de 17 anos, e um homem de 77 anos na região de Zaporizhia. Misseis ucranianos artesanais "Flamingo" atingiram uma fábrica russa de mísseis balísticos na região de Udmurtia e uma refinaria de gás na região de Samara, numa demonstração de que a Ucrânia desenvolvia capacidades de ataque profundo em território russo. A Ucrânia também impôs neste domingo novas sanções a 225 capitães de navios suspeitos de transportar petróleo russo em violação às sanções internacionais, incluindo pela primeira vez capitães de embarcações com bandeira de países amigos.