Líderes do G7 adotam aliança sobre minerais críticos
Governança Global — Europa
Cúpula na França estabelece metas para reduzir dependência de fornecedores únicos e anuncia investimentos de 64 bilhões de euros no setor produtivo estratégico.
G7 formaliza estratégia de segurança para minerais críticos na FrançaOs líderes do Grupo dos Sete (G7) concluíram nesta quinta-feira, 18 de junho de 2026, a cúpula anual realizada em Evian-les-Bains, na França. Os chefes de Estado firmaram uma declaração conjunta para diversificar as cadeias de suprimentos globais de minerais críticos e reduzir a dependência de fornecedores únicos. O documento oficial estabelece a meta de diminuir a concentração do mercado de terras raras e de ímãs permanentes para menos de 60% até 2030, com a ambição de atingir o patamar de 50% o mais rápido possível. A medida busca mitigar vulnerabilidades econômicas estruturais e responder ao uso de restrições comerciais arbitrárias. Esse movimento consolida uma resposta coordenada das maiores economias democráticas aos desafios atuais do comércio internacional.Dependência global impulsiona criação de nova aliança produtivaA urgência por diversificação ocorre em um cenário no qual a China domina amplamente o mercado global, concentrando cerca de 70% da produção e 90% da capacidade de processamento de terras raras. Esse monopólio garante a Pequim uma alavancagem significativa sobre setores essenciais, que variam de veículos elétricos e semicondutores a sistemas de defesa. Para enfrentar essa assimetria, os líderes formalizaram a Aliança de Produção e Resiliência de Minerais Críticos do G7. Essa iniciativa não vinculativa visa coordenar projetos de extração, processamento e reciclagem. Os países membros já registraram avanços notáveis na área, impulsionados por 195 projetos anunciados desde o início de 2026, os quais somam 64 bilhões de euros em investimentos públicos e privados.Brasil integra debates como país convidado em rodadas de negociaçãoA cúpula francesa buscou ampliar o diálogo com nações estratégicas do Sul Global para garantir parcerias mutuamente benéficas. O governo anfitrião convidou líderes de países como Brasil, Índia, Egito, Quênia e Coreia do Sul para participar das sessões estendidas do bloco. A presença brasileira sublinha a relevância do país nas discussões sobre transição energética e fornecimento sustentável de matérias-primas no cenário mundial. Os documentos emitidos pelos líderes destacam a necessidade de elevar os padrões globais de mineração, respeitando direitos laborais e evitando o trabalho forçado, critérios vitais para nações em desenvolvimento que buscam atrair investimentos externos estruturais. Essa cooperação internacional reforça o papel das economias emergentes na reconfiguração segura das cadeias produtivas globais.Inteligência artificial e acordos geopolíticos marcam agenda paralelaO encontro também dedicou espaço significativo ao debate sobre inovação tecnológica e resolução de conflitos internacionais de longa data. A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, destacou a importância de regulamentar a inteligência artificial (IA) de maneira segura, dialogando com empresas de ponta para equilibrar oportunidades econômicas e riscos cibernéticos. No campo da segurança do Oriente Médio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou aos parceiros europeus os termos de um memorando de entendimento preliminar entre Washington e Teerã para encerrar meses de hostilidades. Esse acordo com o governo iraniano tem previsão de formalização em uma cerimônia na Suíça nos próximos dias. As discussões plurais atestam o esforço contínuo das potências ocidentais para estabilizar as esferas diplomática e tecnológica mundiais.