Atirador disfarçado de entregador fere gravemente o tenente-general Vladimir Alekseyev,...
Segurança e Paz — Europa
Em 6 de fevereiro de 2026, um atirador disfarçado de entregador baleou três vezes o tenente-general Vladimir Alekseyev — número 2 do GRU, a inteligência mili...
Na manhã de sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026, por volta das 6h30 no horário de Moscou, um homem se aproximou da entrada do prédio residencial de alto padrão onde o tenente-general Vladimir Alekseyev morava, na Autoestrada Volokolamskove, no noroeste da capital russa, disfarçado de entregador — conforme relatou o jornal de negócios russo Kommersant, citado pela AP, CNN, CBC e Fox News. O atirador esperou o general na escadaria, atirou duas vezes assim que Alekseyev saiu — atingindo-o nos pés e no braço —, e quando o general tentou arrancar a arma de suas mãos, disparou uma terceira vez, atingindo-o no peito, conforme o Kommersant e a Al Jazeera relataram com base em fontes próximas à investigação. O atacante fugiu imediatamente após o terceiro disparo. Vizinhos ouviram os disparos por volta das 6h30 e acionaram a polícia, que chegou ao local às 7h, conforme relatou a moradora Alexandra à Reuters. O Comitê de Investigação russo — equivalente a um FBI-Prokuratura — emitiu nota pela porta-voz Svetlana Petrenko confirmando que um inquérito criminal havia sido aberto sob a tipificação de "tentativa de homicídio e tráfico ilegal de armas de fogo" contra um "alto funcionário do Ministério da Defesa", conforme reproduziram a NBC News, a UPI e a Al Jazeera. Alekseyev foi levado de ambulância ao hospital mais próximo e submetido a cirurgia emergencial. A agência estatal TASS, citando fontes médicas, informou horas depois que o general havia "recuperado a consciência" e que os médicos avaliavam que "sua vida não corre perigo", conforme documentou a CNN.Alekseyev, 64 anos, nascido na região de Vinnytsia, na então República Soviética da Ucrânia, era desde 2011 o primeiro vice-chefe do GRU — o mais alto órgão de inteligência militar das Forças Armadas russas, responsável por operações de inteligência de combate, espionagem no exterior e operações de influência política. Havia acumulado um currículo que o tornava um dos oficiais russos mais sancionados e mais investigados no Ocidente. Em 2016, os EUA o sancionaram por seu papel central no hackeamento de sistemas do Partido Democrata e da campanha de Hillary Clinton durante as eleições presidenciais americanas — a operação que o relatório Mueller chamaria de "uma das más mais abrangentes de espionagem digital da história moderna", conforme a Euronews e a CNN documentaram. Em 2019, a União Europeia o sancionou — junto com Igor Kostyukov, seu superior, atual chefe do GRU — por sua responsabilidade na preparação e execução do ataque de envenenamento pelo agente nervoso Novichok em Salisbury, Reino Unido, em março de 2018, que visou o ex-agente duplo russo Sergei Skripal e sua filha Yulia, ambos sobreviventes, e acabou matando a cidadã britânica Dawn Sturgess ao ser exposta a material Novichok descartado pelo grupo, conforme a Euronews e a CBC documentaram. Alekseyev também havia liderado operações de inteligência militares russas na Síria e tinha sido enviado por Putin para negociar pessoalmente com Yevgeny Prigozhin durante a rebelião da Wagner em junho de 2023 — quando foi filmado pelas câmeras do próprio Prigozhin sentado com o líder mercenário numa instalação tomada em Rostov-do-Don, apelando para que ele parasse o avanço sobre Moscou —, conforme documenta a Al Jazeera. Em maio de 2022, durante a retirada dos defensores de Azovstal em Mariupol, havia sido o representante russo nas negociações para a rendição dos combatentes do regimento Azov — e havia assinado documento garantindo que a Rússia cumpriria as Convenções de Genebra sobre tratamento de prisioneiros de guerra. O comandante do Azov, Denys Prokopenko, declarou na sexta-feira que Alekseyev havia mentido: "A tortura sistemática de soldados capturados do Azov, a negativa de assistência médica e a inanição são prova clara disso", afirmou Prokopenko, acrescentando que "mesmo que Alekseyev sobreviva, nunca dormirá em paz novamente", conforme a Euronews reportou.O ministro das Relações Exteriores Sergei Lavrov, em coletiva de imprensa naquela tarde, foi o primeiro a apontar a responsabilidade publicamente: "Esse aparente ato terrorista pelo lado ucraniano", disse Lavrov, conforme reproduziram a CBS News e a CBC, "é obviamente uma tentativa de desestabilizar o processo de negociação". Lavrov não apresentou evidências. A Ucrânia não comentou o ataque até o final da sexta-feira, conforme a CNN e a Al Jazeera registraram — um silêncio que era, em si mesmo, uma resposta eloquente, dado que a inteligência militar ucraniana (HUR) havia reivindicado ou insinuado ter reivindicado pelo menos três assassinatos anteriores de altos militares russos em Moscou. O Kremlin disse que Putin havia sido informado do atentado. O porta-voz Dmitry Peskov disse que "é óbvio que comandantes militares e especialistas de alto nível estão em risco durante a guerra" — e que "não cabe ao Kremlin decidir como garantir sua segurança; isso é assunto para os serviços de inteligência", conforme a CNN e a Al Jazeera. O timing do ataque era carregado de significado geopolítico: havia ocorrido um único dia após Steve Witkoff e Jared Kushner anunciarem no X que a segunda rodada das negociações trilaterais em Abu Dhabi havia produzido acordo para a troca de 314 prisioneiros de guerra — 157 de cada lado —, e que as delegações haviam acordado reunir-se novamente em breve, conforme a Fox News e a CBS News documentaram.O atentado inseria-se numa série de ataques que havia dizimado o alto comando das Forças Armadas russas em seus próprios lares e bairros em Moscou e arredores nos últimos 14 meses. Em dezembro de 2024, um homem-bomba estacionado à espera da saída do tenente-general Igor Kirillov — chefe das forças de defesa nuclear, biológica e química — havia detonado uma carga colocada em uma scooter elétrica nas proximidades de seu prédio, matando-o na hora. Em abril de 2025, o tenente-general Yaroslav Moskalik — chefe do Setor de Operações do Estado-Maior — havia sido morto por uma bomba colocada sob seu carro em Balashikha, nos arredores de Moscou, no mesmo dia em que Witkoff estava em reunião com Putin no Kremlin; a explosão havia ocorrido enquanto negociações de paz estavam em curso, gerando escândalo e acusações de Kiev, conforme a UPI documentou. Em dezembro de 2025, o tenente-general Fanil Sarvarov — chefe do Setor de Treinamento Operacional do Estado-Maior — havia sido morto por bomba colocada sob seu carro em Moscou, conforme a NBC News documentou. Alekseyev era agora o quarto oficial sênior a ser atacado — e o primeiro a sobreviver nessa série, conforme analisou a Al Jazeera com base em levantamento da agência de notícias Reuters.