Brasil discute pautas comerciais com os Estados Unidos e a União Europeia no G20
Economia e Comércio — Global
Delegação brasileira de ministros do comércio busca desatar impasses tarifários e comerciais em Milwaukee
O encontro de ministros do comércio em MilwaukeeA delegação brasileira participou hoje, 30 de setembro, das reuniões ministeriais do G20 Comercial, em Milwaukee, com o objetivo de reverter medidas protecionistas que afetam exportadores nacionais. O encontro em Milwaukee ocorre em um contexto de guerra comercial acentuada entre Estados Unidos e outros parceiros globais, com Washington sob a administração de Donald Trump priorizando a revisão da regra da nação mais favorecida da Organização Mundial do Comércio (OMC). Os ministros Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa utilizaram esse espaço para defender o multilateralismo, opondo-se à mudança de regras que permitiria maior discricionariedade nas tarifas. O Brasil sustenta que a previsibilidade do comércio é essencial para a segurança jurídica de seus fluxos de exportação.O G20 Comercial e os desafios brasileiros em 2026O G20 Comercial funciona como uma frente especializada no âmbito da agenda mais abrangente do Grupo dos 20, congregando as maiores economias mundiais, além da União Europeia e da União Africana, para debater e coordenar normas globais. Este grupo mantém frentes de discussão permanentes ao longo do ano, sendo responsável por preparar os documentos e as pautas técnicas que subsidiam as deliberações ministeriais e a declaração final da cúpula de líderes. O encontro de ministros do comércio em 2026 reflete o contexto atual do comércio brasileiro e os desafios que enfrenta com parceiros externos. O Brasil lida, desde julho, com a imposição de tarifas adicionais de 25% pelos Estados Unidos, fundamentadas na Seção 301 da legislação norte-americana, além de sobretaxas vinculadas a alegações de trabalho forçado. Paralelamente, a pauta com a União Europeia demanda esforços para a plena execução do acordo Mercosul-União Europeia, vigente desde maio de 2026, focando na revisão de cotas europeias sobre o aço brasileiro e na remoção de barreiras sanitárias que impedem a expansão das exportações de carne bovina, de aves e mel. O diálogo entre Brasil e Estados Unidos sobre tarifasOs ministros brasileiros reuniram-se com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e reafirmaram a disposição do Brasil de avançar por meio do diálogo e da negociação na construção de soluções para os temas que afetam o comércio bilateral, sempre tendo como referência a defesa dos interesses brasileiros e a ampliação das oportunidades para empresas e setores produtivos dos dois países. Brasil e Estados Unidos reconheceram a importância de avançar na superação dos obstáculos existentes e manifestaram disposição de trabalhar de forma célere na busca de um entendimento mutuamente satisfatório. Foi acordada a criação de um Grupo de Trabalho para discutir temas relacionados a um possível acordo, sendo que o governo norte-americano deverá encaminhar, nas próximas semanas, um documento com uma proposta para o escopo dos trabalhos, contemplando questões tarifárias e não tarifárias.Balanço da pauta comercial Brasil e União EuropeiaA delegação brasileira também realizou um encontro bilateral com o Comissário para Comércio e Segurança Econômica da Comissão Europeia, Maroš Šefčovič. Ao avaliar os resultados da implementação do acordo comercial entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia, em vigor desde maio de 2026, as partes saudaram os expressivos resultados em incremento de fluxos de comércio. Paralelamente, trataram de medidas restritivas à importação de aço, com o lado europeu indicando uma revisão em curso na alocação de quotas que poderá beneficiar o Brasil. Discutiu-se, ainda, sobre barreiras sanitárias e o uso de antimicrobianos em produtos agrícolas. O lado europeu referenciou o resultado positivo de auditorias recentes no Brasil, manifestando expectativa de que, finalizados os procedimentos burocráticos, as exportações brasileiras de carne de aves e mel sejam retomadas no curto prazo. O governo brasileiro reiterou, por sua vez, a expectativa de que um procedimento acelerado de autorização possa contemplar as exportações de carne bovina.Desafios e perspectivas do comércio exterior brasileiroA estratégia brasileira para o fim de 2026 baseia-se na manutenção de canais abertos de negociação para evitar que as tensões tarifárias se tornem permanentes. O país enfrenta um cenário de pressão global por maior proteção industrial, o que exige uma diplomacia técnica ativa para contestar alegações de práticas desleais de comércio sem incorrer em retaliações que prejudiquem a balança comercial nacional. Agora, o governo brasileiro monitora os desdobramentos da proposta que os Estados Unidos prometem enviar ao novo grupo de trabalho, pois este documento definirá a profundidade das concessões ou ajustes que o Brasil precisará realizar. Simultaneamente, o Brasil segue acompanhando a estabilização das exportações de commodities para a União Europeia após as auditorias recentes, com o interesse em recuperar os mercados agropecuários e siderúrgicos. O sucesso destas negociações poderá garantir maior previsibilidade quanto ao escoamento da produção industrial e agrícola brasileira e a ampliação de mercados para o setor produtivo neste segundo semestre de 2026.