Quinto aniversário do ataque ao Capitólio revela esforço institucional para reescrever ...
Governança Global — América do Norte
O 5º aniversário do 6 de janeiro é marcado por um esforço do governo Trump para reabilitar os invasores do Capitólio e punir os promotores que os investigara...
Neste dia 6 de janeiro de 2026, os Estados Unidos observam o quinto aniversário do ataque ao Capitólio em um cenário político drasticamente transformado. O que antes era amplamente condenado como uma insurreição contra a democracia está sendo sistematicamente redefinido pela administração Trump como um "dia de amor". Desde o retorno de Donald Trump à presidência, um esforço coordenado tem sido empreendido para apagar a memória coletiva da violência de 2021 e reabilitar os envolvidos. No primeiro dia de seu novo mandato, Trump concedeu perdões a aproximadamente 1.500 indivíduos que enfrentavam acusações ou condenações relacionadas ao ataque. Este movimento não apenas anulou anos de trabalho investigativo do Departamento de Justiça, mas também sinalizou uma mudança na hierarquia de valores do Estado, onde a lealdade política parece agora sobrepor-se à conduta criminal e institucional. Promotores de carreira que atuaram nos casos do 6 de janeiro relatam uma onda de retaliações, incluindo demissões e rebaixamentos, enquanto figuras que anteriormente defendiam os invasores assumem cargos de destaque no sistema judiciário. A retórica oficial de revisão histórica é acompanhada por ações financeiras e simbólicas. O governo Trump pagou recentemente uma indenização de US$ 5 milhões à família de Ashli Babbitt, a manifestante morta por um policial durante a tentativa de invasão, transformando-a em uma figura de mártir. Em contrapartida, os esforços para homenagear os oficiais de polícia que defenderam o Capitólio enfrentam obstáculos burocráticos e políticos. O Speaker da Câmara, Mike Johnson, continua a recusar a instalação de uma placa comemorativa exigida por lei para honrar esses oficiais, o que gerou processos judiciais por parte de policiais que se sentem abandonados pelo Estado. Enquanto isso, no terreno do Capitólio, pequenos grupos de manifestantes — muitos deles beneficiários dos perdões presidenciais — realizaram marchas hoje para celebrar o que consideram uma vitória patriótica. Para esses grupos, o aniversário tornou-se uma oportunidade para consolidar uma narrativa de resistência contra o que chamam de "tirania do Deep State", transformando uma tragédia nacional em um triunfo político. A reação da oposição democrata tem sido de profunda incerteza e alarme. Lideranças como Hakeem Jeffries e Chuck Schumer conduziram momentos de silêncio e audiências informais para manter vivo o registro documental da violência sofrida em 2021, mas sua influência é limitada pela maioria republicana nas duas casas do Congresso. A divisão é tamanha que nem mesmo o reconhecimento dos fatos básicos do dia 5 de janeiro — como a plantação de bombas caseiras perto das sedes partidárias — escapa da partidarização. O recém-formado Comitê Seleto da Câmara sobre o 6 de Janeiro, agora sob controle republicano, iniciou investigações voltadas não para os invasores, mas para a conduta do FBI e possíveis teorias de "armação" federal. Este quinto aniversário marca, portanto, não apenas uma data no calendário, mas o sucesso de uma estratégia de guerra de informação estatal que visa consolidar o poder através da fragmentação da verdade histórica.