Operação Epic Fury: US$ 3,7 Bilhões nas Primeiras 100 Horas de Guerra
Governança Global — América do Norte
CSIS publica análise mais citada do conflito: US$ 891 milhões por dia, 168 Tomahawks disparados a US$ 3,6 milhões cada, US$ 3,5 bilhões não-orçados e um défi...
Na quinta-feira, 5 de março de 2026, com a Operação Epic Fury entrando em seu sexto dia e tanto Trump quanto Hegseth sinalizando que o conflito poderia continuar por semanas, o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) de Washington publicou a análise de custo mais abrangente e imediatamente mais citada do conflito: um estudo de Mark F. Cancian e Chris H. Park, sênior e associado do programa de defesa e segurança do CSIS, que estimou o custo total das primeiras 100 horas da operação em US$ 3,7 bilhões — ou US$ 891,4 milhões por dia, equivalente a US$ 37 milhões por hora ou US$ 600 mil por minuto. A estrutura analítica do estudo dividia os custos em três categorias: custos operacionais (aproximadamente US$ 196 milhões no total, dos quais US$ 178 milhões já estavam orçados e o restante não); reposição de munições (o maior componente, estimado em US$ 3,1 bilhões, quase inteiramente não orçado); e perdas de ativos, incluindo aeronaves abatidas e sistemas de defesa danificados (estimado em US$ 400 milhões, também não orçado). O dado mais revelador era a proporção não-orçada: de US$ 3,7 bilhões totais, US$ 3,5 bilhões — mais de 94% — não estavam previstos no orçamento do Departamento de Defesa para o exercício fiscal de 2026, o que significava que o Pentágono precisaria solicitar ao Congresso financiamento emergencial suplementar apenas para cobrir os gastos dos quatro primeiros dias. "Os custos não orçados aqui serão substanciais", escreveram Cancian e Park, acrescentando que a estimativa do CSIS poderia ser "o dobro ou o triplo" se fossem incluídos os custos de posicionamento das forças na região nos meses que precederam o conflito.O item mais revelador da análise era o consumo de mísseis Tomahawk. Com a campanha mal completando 100 horas, 168 mísseis Tomahawk de cruzeiro já haviam sido disparados — cada um a um custo unitário de US$ 3,6 milhões. O número era impressionante quando comparado ao ritmo de produção: nos cinco anos anteriores, os EUA haviam adquirido apenas 322 Tomahawks no total, o que significava que em quatro dias a operação havia consumido mais da metade do estoque produzido em meia década. Uma fonte anônima ouvida pelo Financial Times disse que "a Marinha sentirá essa despesa por vários anos." O CSIS apontou também que a taxa de consumo de interceptores de defesa aérea era igualmente alarmante: o Irã havia lançado mais de 2.000 drones e 500 mísseis balísticos nos primeiros dias, forçando o uso massivo de Patriot PAC-3 (US$ 4 milhões por unidade), THAAD (US$ 11 milhões por unidade) e interceptores de médio alcance. A analista Jennifer Kavanagh, da Defense Priorities, estimou que os EUA haviam gasto "facilmente mais de US$ 10 bilhões" apenas em sistemas de defesa aérea nas primeiras 48 horas do conflito, entre os próprios sistemas e os fornecidos a aliados regionais. O custo assimétrico — o Irã lançando drones de US$ 20 mil cada, os EUA abatendo-os com interceptores de US$ 4–11 milhões — era a ilustração mais concreta do principal paradoxo da guerra: a esmagadora superioridade tecnológica americana tinha um preço financeiro que o Irã estava deliberadamente explorando ao saturar a defesa aérea com volume de baixo custo.O impacto orçamentário estava forçando Washington a agir em múltiplas frentes simultaneamente. Trump havia prometido solicitar ao Congresso um pacote suplementar de emergência de US$ 50 bilhões para cobrir os custos da guerra, embora a porta-voz Karoline Leavitt houvesse dito na quarta-feira não ter "atualizações" sobre o timing do pedido. O Rep. Tom Cole (R-OK), presidente do Comitê de Dotações da Câmara, confirmou que o Departamento de Defesa estava trabalhando num pedido suplementar, mas sem data definida. Na sexta-feira, 6 de março, o Pentágono convocaria os principais fabricantes de defesa americana — Raytheon, Lockheed Martin, General Dynamics, Boeing e Northrop Grumman — à Casa Branca para discutir a aceleração do ritmo de produção de munições. A senadora Lisa Murkowski (R-AK), membro do Comitê de Dotações do Senado, disse: "Precisam nos dar mais informações como justificativa. Não tomem por garantido que o papel do Congresso é simplesmente assinar o cheque." O ex-líder da maioria Mitch McConnell, que agora presidia o subcomitê de defesa das dotações, disse que o Congresso precisaria agir rapidamente para aprovar o financiamento suplementar, mas que "condições" seriam colocadas sobre como o dinheiro poderia ser usado. O Penn Wharton Budget Model, da Universidade da Pennsylvania, estimou num cenário de conflito de dois meses sem tropas terrestres que o custo total poderia ficar entre US$ 40 bilhões e US$ 95 bilhões — chegando potencialmente a US$ 210 bilhões se o impacto econômico indireto (preços de energia, interrupção do comércio, investimento suprimido) fosse incluído.O custo fiscal doméstico da guerra havia se tornado um argumento político central para os oponentes da Operação Epic Fury no Congresso. O senador Chris Van Hollen (D-MD), membro do Comitê de Relações Exteriores do Senado, disse que Trump estava "mentindo para o povo americano enquanto lançava uma guerra ilegal de regime change contra o Irã" e que a análise do CSIS era a prova de que "ninguém se perguntou como isso seria pago". O senador Bernie Sanders, que havia introduzido uma resolução de impeachment, disse que o custo da guerra era "obsceno" e que os recursos poderiam ser usados para "cuidados de saúde, habitação e educação". Do lado republicano, o senador Lindsey Graham (R-SC), um dos maiores apoiadores da guerra, disse que o custo era "um investimento no futuro da segurança americana" e que "o custo de não agir contra um Irã nuclear teria sido infinitamente maior". Trump, em publicação no Truth Social, disse que os custos seriam "facilmente compensados pelos benefícios para a segurança global" e reiterou seu compromisso de elevar o orçamento de defesa para US$ 1,5 trilhão anuais — tornando o custo da Epic Fury "uma fração pequena do investimento total na defesa americana".