OMS alerta que surto de Ebola na República Democrática do Congo avança velozmente
Segurança e Paz — África
Aceleração da epidemia na África Central exige resposta internacional coordenada e proteção imediata às equipes de saúde em zonas de conflito.
Crise sanitária na África Central demanda mobilização global urgenteA Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta crítico nesta quarta-feira, 24 de junho de 2026, sobre a rápida disseminação do vírus Ebola na República Democrática do Congo (RDC). Durante uma conferência de imprensa em Genebra, o Diretor-Geral da instituição, Tedros Adhanom Ghebreyesus, confirmou que o surto já contabiliza 1.094 casos positivos e 277 mortes em apenas cinco semanas de atividade epidêmica. O avanço da doença para o território da vizinha Uganda, onde duas mortes foram confirmadas, eleva o risco regional e pressiona as estruturas de governança sanitária global. Essa aceleração ocorre em um momento de extrema fragilidade logística, pois a infraestrutura local sofre com a instabilidade política persistente.Expansão da capacidade laboratorial enfrenta desafios operacionais severosO governo congolês e os parceiros internacionais conseguiram ampliar significativamente a rede de atendimento hospitalar e de diagnóstico rápido no último mês. A capacidade instalada saltou de dez leitos para mais de 500 unidades distribuídas em 19 centros de saúde, enquanto o processamento de exames laboratoriais subiu de 30 para 2.000 testes diários. Apesar desse esforço técnico notável, as equipes de resposta encontram dificuldades para acessar comunidades em áreas remotas devido à insegurança crônica provocada por grupos armados. O engajamento comunitário tem crescido, mas o receio de ataques violentos contra profissionais de saúde retardou o isolamento de novos focos de contágio. Tal cenário demonstra que o sucesso das intervenções médicas depende diretamente da estabilização do ambiente de segurança.Resolução 2823 do Conselho de Segurança busca proteger agentes humanitáriosO Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) aprovou por unanimidade a Resolução 2823, estabelecendo normas rigorosas para a proteção de agentes de paz e profissionais de saúde em missões internacionais. O documento responde ao aumento das agressões contra os "boinas-azuis" e equipes da OMS que atuam em zonas de conflito na África Central e no Oriente Médio. A medida fortalece o arcabouço jurídico necessário para punir autores de crimes contra pessoal diplomático e humanitário, garantindo maior respaldo operacional para a estabilização da RDC. A proteção física desses profissionais é fundamental para que as campanhas de vacinação e os novos testes clínicos com antivirais ocorram sem interrupções. Esse movimento diplomático sinaliza uma tentativa de revigorar o multilateralismo diante de crescentes pressões isolacionistas.Posição brasileira e a defesa do multilateralismo em redeO Ministério das Relações Exteriores (MRE) do Brasil reiterou seu compromisso com a cooperação internacional por meio de notas oficiais que destacam a importância das agências multilaterais. Em sintonia com a postura defendida pelo governo brasileiro na cúpula do G7 (Grupo dos Sete) em Évian, a diplomacia nacional enfatiza a necessidade de reformar a governança global para torná-la mais ágil diante de crises biológicas. O Brasil tem mantido em dia suas contribuições financeiras para o fundo emergencial da OMS, posicionando-se como um mediador relevante no diálogo entre o Sul Global e as potências tradicionais. O Itamaraty defende que a resposta a epidemias deve ser pautada pela solidariedade técnica e pelo respeito à soberania das nações afetadas. Essas diretrizes refletem a tradição brasileira de buscar soluções pacíficas e estruturadas para os desafios que ultrapassam as fronteiras nacionais.