EUA e Irã Começam Negociações Mediadas pelo Paquistão

Governança Global — América do Norte

Delegações de alto escalão iniciam conversas em Islamabad em meio a um clima de incerteza e divergências sobre os ataques de Israel no Líbano.

O Início das NegociaçõesA agência de notícias iraniana FARS afirmou na manhã deste sábado (11) que as negociações oficiais entre os EUA e o Irã em Islamabad, capital do Paquistão, começaram. O marco diplomático é expressivo: estas representam as conversas de mais alto nível entre os dois países desde a Revolução Islâmica de 1979 e as primeiras negociações presenciais diretas realizadas pelas partes desde o ano de 2015, quando chegaram a um acordo sobre o programa nuclear iraniano.Divergências sobre o LíbanoO encontro ocorre cercado por um clima de tensão e incerteza persistente. O impasse central reside no fato de que o Irã insiste que Israel deve parar com os ataques no Líbano, pontuando que essa interrupção faz parte do acordo estipulado para a suspensão dos combates. Por outro lado, Israel e os Estados Unidos afirmam categoricamente que o conflito no Líbano não faz parte do acordo. Ignorando as exigências iranianas, as forças israelenses realizaram os maiores ataques ao país vizinho desde o início da guerra nesta semana, matando mais de 350 pessoas.A Chegada AmericanaA delegação americana, liderada pelo vice-presidente dos EUA, JD Vance, e incluindo o enviado especial do presidente Donald Trump, Steve Witkoff, e seu genro, Jared Kushner, desembarcou em dois aviões da Força Aérea dos EUA em uma base aérea em Islamabad na madrugada deste sábado (11). As autoridades norte-americanas foram recebidas oficialmente pelo chefe do Exército do Paquistão, o marechal de campo Asim Munir, e pelo ministro das Relações Exteriores, Ishaq Dar, ressaltando a forte mediação militar e civil paquistanesa no evento.A Posição de TeerãA comitiva de Teerã chegou ao país anfitrião um dia antes, desembarcando na sexta-feira (10). A delegação iraniana é liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, e pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi. Antes de sentarem à mesa, o principal negociador iraniano deixou claro a postura do regime: ele destacou publicamente que há "boa vontade" por parte de Teerã para solucionar o conflito, mas reforçou que a nação não confia nos EUA.