Iniciativa brasileira de restauração do cerrado ganha prêmio global da ONU
Meio Ambiente — América do Sul
O prêmio Iniciativas Pioneiras da Restauração Mundial reconehce projetos de grande impacto na recuperação de ecossistemas ao redor do mundo.
O reconhecimento da ONU à restauração ambientalO Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) conferiram, nesta semana, o prêmio Iniciativas Pioneiras da Restauração Mundial a três projetos de alto impacto. A condecoração, concedida durante a 17ª Sessão da Conferência das Partes (COP17) da Convenção das Nações Unidas para Combater a Desertificação (UNCCD) na Mongólia, celebra esforços globais que combinam ciência e engajamento comunitário para reverter a degradação da terra. O reconhecimento oficial integra a Década da ONU para a Restauração de Ecossistemas, reforçando o compromisso internacional com a preservação da biodiversidade e a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.Os três projetos vencedores em escala globalAlém da iniciativa brasileira, o prêmio destacou ações de recuperação ambiental no Sahel e na Arábia Saudita. Na região do Sahel, a Iniciativa Integrada de Resiliência, implementada em países como Burquina Faso, Chade e Níger, recuperou mais de 335 mil hectares, beneficiando 4 milhões de pessoas ao combinar o combate à desertificação com o apoio a populações refugiadas. Paralelamente, o Programa Nacional de Esverdeamento da Arábia Saudita obteve reconhecimento por alcançar a marca de 159 milhões de árvores plantadas e 1 milhão de hectares restaurados, utilizando tecnologias de captação de chuva e gestão de águas residuais para converter desertos em áreas produtivas, com a meta de gerar 187 mil empregos até 2030. A importância estratégica da restauração do CerradoO Cerrado brasileiro, bioma que sustenta cinco das oito grandes bacias hidrográficas do país e é reconhecido como a savana tropical mais biodiversa do mundo, enfrenta pressões constantes devido ao avanço da fronteira agrícola e taxas significativas de supressão vegetal, que atingiram patamares críticos na última década. O projeto brasileiro premiado pela ONU é a Iniciativa Araticum, louvada por sua abordagem integrada. Ele articula a atuação de 180 organizações, incluindo povos indígenas, agricultores e pesquisadores, para reabilitar o bioma. O uso de monitoramento via satélite e a metodologia de regeneração natural e semeadura direta têm demonstrado eficácia imediata na atração da fauna e no retorno de espécies nativas às áreas anteriormente degradadas. A iniciativa visa a recuperação de 2 milhões de hectares e, até junho de 2026, 27 mil hectares já foram colocados em processo de restauração.Governança Global e metas para 2030Ao participar ativamente em fóruns como a UNCCD e a COP17, o Brasil segue reafirmando seu papel na governança global, sendo a premiação da Iniciativa Araticum um episódio importante que reforça a diplomacia ambiental brasileira no cenário internacional. O sucesso deste projeto na Mongólia mostra que a cooperação técnica internacional, fundamentada em evidências científicas e resultados práticos, é um elemento indispensável para que o sistema multilateral alcance as metas de restauração de 1 bilhão de hectares de terras, como estipulado em compromissos como o Acordo de Paris e o Desafio de Bonn. O prêmio Iniciativas Pioneiras da Restauração Mundial reflete a urgência em monitorar essas metas e, ao destacar modelos transparentes de gestão, a ONU busca consolidar parâmetros de governança que assegurem a qualidade e a continuidade das ações de preservação em escala internacional.