Peru Apura Votos Em Disputa Presidencial Apertada
Governança Global — América do Sul
Keiko Fujimori e Roberto Sánchez disputam a presidência peruana voto a voto em um cenário marcado por preocupações com a segurança pública.
Apuração Define Novo Presidente PeruanoA autoridade eleitoral do Peru iniciou nesta segunda-feira a contagem final dos votos do segundo turno presidencial, realizado ontem, 7 de junho. Com 93% dos sufrágios contabilizados, a candidata conservadora Keiko Fujimori, do partido Força Popular, registra 50,09% da preferência do eleitorado, enquanto o congressista Roberto Sánchez, do partido Juntos pelo Peru, alcança 49,90%. O cenário indica um empate técnico severo, repetindo a polarização acirrada vista nas disputas presidenciais peruanas recentes. A lentidão na oficialização dos resultados decorre da exigência legal de transporte físico das atas de votação das províncias e do exterior para a capital, Lima, um processo que pode levar semanas para ser concluído.Insegurança Pauta Decisão do EleitoradoO pleito ocorreu sob forte influência das demandas populares por segurança pública, um fator que pautou os debates de ambos os candidatos. A criminalidade urbana, particularmente a extorsão, tornou-se a maior preocupação dos eleitores, superando questões puramente macroeconômicas. Especialistas em segurança regional apontam que o aumento do crime organizado no território peruano está diretamente ligado ao financiamento oriundo da mineração ilegal de ouro na região dos Andes e na Amazônia. Fujimori defendeu o endurecimento das penas, enquanto Sánchez prometeu expurgar a corrupção das forças policiais e aceitar apoio militar em operações de segurança interna.Legados Políticos Em Confronto DiretoO perfil dos candidatos reflete a fratura institucional crônica do país, que busca eleger seu nono presidente em dez anos. Keiko Fujimori tenta chegar ao cargo máximo do Executivo em sua quarta candidatura consecutiva. Ela herda o capital político de seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori, cuja gestão nos anos 1990 foi marcada pela estabilização econômica, mas também por violações de direitos humanos e corrupção. Por sua vez, Roberto Sánchez atrai o voto rural e indígena. Ele foi ministro no governo de Pedro Castillo, destituído e preso no final de 2022 após tentar dissolver o Congresso peruano de forma inconstitucional.Geopolítica e Impactos Econômicos RegionaisA definição do novo chefe de Estado peruano possui implicações diretas na balança de poder sul-americana e nos fluxos de investimento asiáticos. O país abriga o Porto de Chancay, um megaprojeto financiado com capital chinês que altera a dinâmica de exportação da América Latina para a Ásia. Durante a campanha, Sánchez buscou acalmar o mercado financeiro, garantindo que não promoverá a nacionalização de empresas transnacionais de mineração ou gás, e reiterou sua abertura aos investimentos da China. Independentemente de quem assumir o Palácio de Governo no dia 28 de julho, o próximo líder enfrentará a difícil missão de construir governabilidade em um parlamento fragmentado.