Paquistão Declara Guerra ao Afeganistão
Segurança e Paz — Global
Em meio ao caos global gerado pela Operação Epic Fury, Paquistão declara estado de "guerra aberta" com o governo Taliban do Afeganistão após ataques mútuos n...
O Paquistão declarou encontrar-se em "guerra aberta" com o governo Taliban do Afeganistão neste sábado, 28 de fevereiro de 2026, após um ciclo de ataques e reações mútuas que havia escalado ao longo de 24 horas na fronteira entre os dois países — eclodindo no mesmo dia em que os EUA e Israel lançavam a Operação Epic Fury contra o Irã, criando a situação inédita de dois conflitos armados de larga escala simultâneos na Ásia Central e no Oriente Médio. A declaração oficial partiu do ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Asif, que em pronunciamento à mídia local descreveu a situação como de "guerra aberta" com o governo Taliban, ao mesmo tempo em que responsabilizava os Taliban por "terrorismo" e pela instabilidade interna do Paquistão.A escalada havia começado dias antes com ataques aéreos paquistaneses em território afegão em retaliação a incursões do Tehrik-i-Taliban Paquistão (TTP) — a facção afegã do movimento Taliban que conduz ataques terroristas dentro do Paquistão — a partir de bases em solo afegão. Os Taliban haviam respondido com o lançamento do que descreveram como "operações ofensivas de larga escala" ao longo da Linha Durand, a fronteira de 2.640 quilômetros traçada pelos britânicos em 1893 e que os Taliban nunca reconheceram formalmente como fronteira internacional entre os dois países. No dia 28 de fevereiro, explosões eram relatadas em Cabul, e o Paquistão afirmava ter atacado também Kandahar e Paktika, em território afegão.A dinâmica do conflito era complexa e com múltiplas camadas. O Paquistão utilizara drones e helicópteros para tentar retomar o controle de Nushki, na província de Beluchistão, de insurgentes do Exército de Libertação do Beluchistão (BLA) — atacando a região após ataques do BLA em toda a província que haviam matado mais de 200 pessoas, segundo a Reuters. O TTP havia intensificado seus ataques a partir do Afeganistão ao longo de 2025, com o Taliban afegão acusado de abrigar e dar suporte logístico ao grupo. A linha Durand permanecia um ponto de tensão estrutural: o Paquistão insistia que se tratava de uma fronteira internacionalmente reconhecida, enquanto os Taliban recusavam qualquer reconhecimento formal, reivindicando territórios ao leste da linha como afegãos.A reação internacional ao conflito Paquistão-Afeganistão foi eclipsada pela crise iraniana — mas era, por si só, de enorme gravidade. A China, que havia mediado as negociações entre Paquistão e Afeganistão através de canais próprios ao longo dos meses anteriores, expressou "profunda preocupação" com a escalada e disse que continuava mediando. A Turquia, cujo chanceler Hakan Fidan havia falado com homólogos de ambos os países, tentava articular uma solução diplomática. A Arábia Saudita e o Qatar — ambos com influência sobre o movimento Taliban — também realizaram contatos de mediação. No entanto, com a atenção internacional completamente concentrada no conflito EUA-Israel-Irã, a mobilização diplomática para o conflito paquistanês-afegão era muito inferior ao necessário.O contexto estratégico do conflito não poderia ser mais explosivo. O Paquistão era um Estado nuclearmente armado, com um arsenal estimado em 170 ogivas, e vinha sofrendo de instabilidade política interna — com o ex-primeiro-ministro Imran Khan preso desde 2023 e seus apoiadores promovendo protestos regulares contra o governo militar que efetivamente controlava as forças armadas. O Afeganistão, controlado pelos Taliban desde agosto de 2021, não possuía arsenal nuclear, mas tinha acesso a armamento pesado deixado pelas forças americanas quando se retiraram do país. A combinação de fronteira contestada, proxies armados (TTP do lado afegão, BLA do lado paquistanês), instabilidade política interna e pressão econômica extrema criava um quadro de risco de escalada que os analistas descreviam como "potencialmente existencial" para o Paquistão.O impacto sobre a comunidade de inteligência americana era imediato: com o CENTCOM ocupado com a Operação Epic Fury no Oriente Médio e com a CIA concentrada na gestão do conflito iraniano, a capacidade americana de monitorar e intervir diplomaticamente no conflito paquistanês-afegão estava severamente reduzida. A Índia — que havia recentemente recebido o premier Modi de volta de uma visita a Israel em 25 de fevereiro — observava o conflito com atenção redobrada, dado que qualquer instabilidade no Paquistão representava uma ameaça à segurança regional indiana.Para o Brasil, o conflito Paquistão-Afeganistão de 28 de fevereiro era relevante por razões que iam além da segurança regional: ele demonstrava que a crise de 2026 não era apenas um conflito localizado no Oriente Médio, mas um sistema de instabilidade em cascata com ramificações em múltiplas regiões do mundo. O Itamaraty monitorava os dois conflitos simultaneamente, ciente de que qualquer pressão sobre a segurança global e os preços energéticos afetaria diretamente a economia brasileira e o cenário político doméstico de um país eleitor presidencial em 2026.