Kuwait Paralisa Exportações; Emirados Abrem Oleoduto de Emergência

Economia e Comércio — Ásia e Oceania

Kuwait Petroleum Corporation declara força maior em todas as exportações após ataques à infraestrutura portuária; Saudi Aramco oferece 4 milhões de barris em...

Colapso Histórico nas Exportações pelo Estreito de OrmuzNo sábado, 7 de março de 2026, a IEA publicou atualização diária de mercado confirmando que as exportações de petróleo pelo Estreito de Ormuz haviam caído para menos de 10% dos níveis pré-conflito, um número que, quando considerado contra o fluxo pré-conflito de aproximadamente 20 milhões de barris por dia, significava que apenas 2 milhões de barris por dia, no máximo, estavam conseguindo sair do Golfo por via marítima. O restante (aproximadamente 18 milhões de barris por dia, ou 18% do suprimento global de petróleo) estava represado no Golfo, sem rota de saída. O relatório mensal da IEA publicado naquele mesmo dia projetava que a produção global de petróleo despencaria 8 milhões de barris por dia em março, com os cortes no Oriente Médio parcialmente compensados por maior produção de países não-OPEC+, incluindo Cazaquistão e Rússia. O retrato era o de um mercado em colapso de oferta sem precedente histórico: "Este é o maior distúrbio de fornecimento na história do mercado global de petróleo", havia dito Birol na reunião de Paris dois dias antes.Declarações de Força Maior e Infraestruturas DanificadasA Kuwait Petroleum Corporation (KPC) havia declarado força maior em todas as exportações de petróleo bruto naquela manhã, a primeira declaração de força maior da KPC em suas quatro décadas de operação. Ataques iranianos a instalações portuárias em Mina Al-Ahmadi (o maior porto de exportação de petróleo do Kuwait, responsável por aproximadamente 2,3 milhões de barris por dia em 2025) haviam danificado "infraestrutura crítica de carregamento" ao ponto de tornar as operações de exportação físicamente impossíveis, conforme a KPC informou ao Ministério do Petróleo do Kuwait e às agências Reuters e Bloomberg. A declaração de força maior isentava a KPC de penalidades contratuais por não-entrega junto a compradores asiáticos, europeus e americanos, mas criava ao mesmo tempo um vácuo imediato no suprimento global que nenhuma reserva estratégica poderia preencher rapidamente. A Bahrain Petroleum Company (BAPCO) havia declarado força maior na refinaria de Sitra dois dias antes, após o strike iraniano que havia causado incêndio nas instalações em 2 de março, conforme reportou o Energy Connects e a Reuters. Além dessas duas declarações, o Ministério da Energia da Arábia Saudita havia confirmado que a maior refinaria do país, a Ras Tanura, estava operando com capacidade reduzida em mais de 60% após o ataque de drones iranianos de 2 de março.Oleodutos Terrestres como Rota Alternativa de Escoamento<p>A resposta dos produtores do Golfo às restrições do Estreito era aproveitar ao máximo os oleodutos terrestres que conseguiam contornar o gargalo. A Saudi Aramco havia oferecido em licitação de emergência naquela semana mais de 4 milhões de barris de petróleo saudita para mercados asiáticos, com entrega pelo oleoduto East-West Pipeline da Aramco, que ligava os campos petrolíferos do leste da Arábia Saudita ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho, a uma capacidade de 5 milhões de barris por dia. A oferta era historicamente única: a Aramco normalmente não fazia ofertas spot no mercado asiático (trabalhava com contratos de longo prazo com refinarias), e a licitação de emergência sinalizava tanto a gravidade do colapso de infraestrutura de exportação pelo Golfo quanto a disposição saudita de usar seus ativos únicos (o oleoduto Yanbu) para manter algum fluxo de petróleo para seus compradores asiáticos. Os Emirados Árabes Unidos anunciaram que o Abu Dhabi Crude Oil Pipeline (ADCOP), que ligava os campos petrolíferos do interior emiradense ao porto de Fujairah no Golfo de Omã, contornando o Estreito de Ormuz, seria operado em capacidade máxima de 1,5 milhões de barris por dia. Combinado com o Yanbu saudita, os oleodutos terrestres de contorno ofereciam uma capacidade máxima de 6,5 milhões de barris por dia, uma fração dos 20 milhões por dia normalmente transportados pelo Estreito.</p>O Impacto no Mercado Americano e a Liberação das Reservas EstratégicasNo mercado americano, os efeitos do choque global de petróleo estavam chegando aos consumidores de forma palpável. O West Texas Intermediate (WTI), a referência do petróleo americano, havia ultrapassado US$ 90 por barril naquela semana, acima dos cerca de US$ 65 imediatamente antes do início da guerra. O preço da gasolina havia subido em média 50 centavos de dólar por galão nos EUA desde o início das hostilidades, chegando à média nacional de US$ 3,57 por galão, acima de US$ 4 em estados como Califórnia, onde o preço havia chegado a US$ 5 por galão na segunda semana de março, o mais alto desde 2023. Trump, em entrevista à rádio WKRC de Cincinnati no sábado, disse que sua administração usaria a SPR americana para "baixar os preços", acrescentando: "Bem, vamos fazer isso e depois voltamos a encher. No momento, vamos reduzir um pouco e isso baixa os preços." A declaração informou o mercado que o presidente havia decidido ordenar a liberação de petróleo da SPR, mas sem especificar o volume, o que deixou analistas do mercado incertos sobre a magnitude do impacto esperado. O Departamento de Energia confirmaria dias depois que os EUA contribuiriam com 172 milhões de barris para o pool coletivo da IEA, a maior contribuição individual da história da agência.