Cepal discute fortalecimento da Cooperação Sul-Sul para enfrentar crises na América Lat...
Integração Regional — América do Sul
Reunião em Santiago define novas estratégias para integração e auxílio humanitário emergencial após sismos na Venezuela.
Santiago sedia cúpula regional sobre integração e desenvolvimentoA Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) reuniu em Santiago 20 delegações nacionais para consolidar a integração técnica e o apoio mútuo diante de crises geopolíticas e ambientais contemporâneas. Realizado originalmente em 25 de junho de 2026, o encontro debateu sobre a superação de lacunas produtivas na região, a necessidade de mecanismos que garantam o desenvolvimento sustentável, a segurança alimentar e a estabilidade regional de forma autônoma perante o sistema internacional. O portal oficial de notícias das Nações Unidas repercutiu nesta quarta-feira, 1º de julho de 2026, as principais deliberações da reunião.CEPAL alerta para desafios da fragmentação globalO Secretário Executivo da CEPAL, José Manuel Salazar-Xirinachs, alertou para o esgotamento de recursos financeiros e a mudança de prioridades dos parceiros tradicionais de desenvolvimento no Norte Global. Segundo o alto funcionário das Nações Unidas (ONU), a fragmentação econômica e a rivalidade entre grandes potências exigem que a região mobilize capacidades próprias e fortaleça o multilateralismo regional. A lógica da cooperação deve migrar de enfoques meramente estratégicos ou de segurança nacional para princípios de solidariedade e responsabilidade compartilhada para garantir a estabilidade. Tal transição é julgada fundamental para lidar com desafios persistentes como a insegurança alimentar, a transformação digital e os fluxos migratórios crescentes na região.Nova estratégia regional busca superar lacunas estruturaisA Conferência também solicitou à Secretaria da CEPAL a elaboração de uma proposta de estratégia regional robusta para fortalecer a cooperação triangular e as parcerias entre países em desenvolvimento. O documento deverá estabelecer novos critérios de idoneidade para o acesso a recursos internacionais, pautados em indicadores que reflitam as reais lacunas estruturais de produtividade e desigualdade social dos Estados. Essa medida busca superar a limitação de métricas tradicionais baseadas apenas no Produto Interno Bruto (PIB) per capita, as quais frequentemente ocultam carências profundas em países de renda média.Alinhamento técnico fortalece governança na América LatinaA validação técnica dos compromissos regionais passará, obrigatoriamente, pelo aprimoramento da coleta de dados nacionais. Os delegados em Santiago reafirmaram a importância do marco global voluntário da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) para a medição da Cooperação Sul-Sul, ferramenta que permite quantificar contribuições que transcendem o apoio financeiro tradicional, como a transferência de tecnologia e o desenvolvimento de capacidades. A padronização de dados, sob a égide do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 17 da Agenda 2030, é essencial para demonstrar o impacto real das ações de assistência técnica e financeira entre os países do Sul Global perante a comunidade internacional e conferir maior visibilidade e peso político às ações de solidariedade horizontal. Esse esforço de precisão estatística é visto como um passo fundamental para que a América Latina possa pleitear, com base em evidências robustas, uma reforma na arquitetura do financiamento internacional para o desenvolvimento durante a Terceira Reunião da Conferência Regional, prevista para junho de 2027. Espera-se que a consolidação dessas estratégias permita à região atuar com maior autonomia e peso político nos principais fóruns de governança global nos próximos anos.