Negociações em Genebra Sobre Ucrânia
Segurança e Paz — Europa
Delegações da Rússia e da Ucrânia iniciam terceira rodada de negociações mediadas pelos Estados Unidos em meio a exigências territoriais.
Nesta terça-feira, 17 de fevereiro de 2026, altos funcionários diplomáticos e líderes de inteligência de segurança da Ucrânia e da Rússia reuniram-se formalmente na cidade de Genebra, na Suíça, para dar início à terceira rodada de negociações de paz. O encontro diplomático, que ocorre a apenas alguns dias do marco sombrio do quarto aniversário da invasão russa em grande escala do território ucraniano, está sendo mediado diretamente por enviados especiais da administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A escolha de Genebra como local do encontro marca a primeira vez que as tratativas bilaterais oficiais ocorrem em solo europeu, sucedendo as duas rodadas anteriores que foram sediadas em Abu Dhabi e Istambul, e reflete uma tentativa estratégica de Washington de centralizar os esforços de mediação internacional em um terreno historicamente associado à neutralidade diplomática.A composição das delegações presentes em Genebra sublinha a gravidade e o caráter de segurança nacional das questões em debate. A delegação russa é chefiada por Vladimir Medinsky, um conselheiro de perfil ultraconservador do presidente Vladimir Putin, e inclui figuras de peso militar como Igor Kostyukov, chefe do departamento de inteligência militar russa (GRU), além do vice-ministro das Relações Exteriores, Mikhail Galuzin. Pelo lado ucraniano, a equipe negociadora é liderada por Rustem Umerov, atual secretário do Conselho de Segurança Nacional e Defesa da Ucrânia, contando com a participação estratégica de Kyrylo Budanov, chefe da inteligência militar ucraniana. Os enviados especiais dos Estados Unidos, Steve Witkoff e Jared Kushner, estão acompanhando de perto todas as sessões, atuando como fiadores do diálogo entre as partes beligerantes.As expectativas para um avanço significativo ou a assinatura de um acordo de cessar-fogo permanecem substancialmente baixas, primordialmente devido à manutenção de exigências descritas como maximalistas por parte do Kremlin. A Federação Russa continua a exigir o reconhecimento formal da anexação de vastos territórios ucranianos, especificamente focando no controle definitivo da região de Donbass. Em contraponto absoluto, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, reiterou sua firme e inegociável recusa em ceder qualquer parcela de seu território nacional. Durante um discurso proferido na Conferência de Segurança de Munique dias antes da cúpula, Zelenskyy enfatizou que entregar terras ao Estado agressor seria um erro estratégico monumental, citando precedentes históricos de invasões russas na Chechênia, Geórgia e Crimeia como provas de que o apaziguamento não garante a paz. O governo ucraniano mantém seu foco operacional em defender cidades cruciais no norte da província de Donetsk, como Sloviansk e Kramatorsk, que abrigam centenas de milhares de civis sob constante ameaça de artilharia russa.Um dos principais e mais espinhosos pontos de divergência nas negociações de Genebra reside na estrutura das garantias de segurança pós-conflito exigidas por Kyiv. A diplomacia ucraniana busca extrair compromissos de segurança robustos e juridicamente vinculativos com uma duração estendida de 30 a 50 anos por parte dos Estados Unidos e de seus aliados europeus, como uma salvaguarda essencial contra futuras e repetidas agressões russas. Em contrapartida, a atual administração americana de Donald Trump propôs uma arquitetura de garantia de segurança limitada a um horizonte de apenas 15 anos. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou publicamente durante a conferência na Alemanha que Washington ainda não tem certeza se a Rússia está genuinamente interessada em encerrar a guerra de maneira justa e duradoura.Além das difíceis questões territoriais e de segurança militar, o processo de paz esbarra em severas pressões políticas de ordem interna. A Rússia e certos setores isolados da comunidade internacional têm exercido forte pressão para que a Ucrânia realize eleições presidenciais no curto prazo, uma demanda que especialistas em direito e autoridades governamentais ucranianas consideram categoricamente inviável devido às precárias condições de segurança nacional, aos deslocamentos em massa de eleitores e às severas restrições legais e constitucionais impostas pela lei marcial em vigor no país. Enquanto as negociações prosseguem em um ritmo cauteloso nos corredores suíços, o custo humano e material do conflito continua a escalar dramaticamente no campo de batalha, com estimativas de inteligência ucraniana apontando para baixas substanciais nas fileiras militares russas, chegando a um ritmo de até 35 mil soldados mortos ou feridos gravemente por mês. O sucesso das negociações em Genebra dependerá da capacidade quase inviável dos mediadores de conciliar o princípio basilar da integridade territorial com as demandas imperiais do Kremlin.