Dia das Nações Unidas celebra 81 do papel da Organização na cooperação internacional
Governança Global — Global
O Secretário Geral aproveita a data para defender a busca pela paz e soluções baseadas no direito internacional.
Apelo diplomático no aniversário da organizaçãoO secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, conclamou os países a priorizarem o diálogo e a solidariedade na celebração do Dia das Nações Unidas neste sábado, 24 de outubro de 2026. Em mensagem oficial transmitida a partir da sede da instituição em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América (EUA), o dirigente ressaltou a urgência de proteger a paz, o desenvolvimento sustentável e os direitos humanos. Guterres afirmou que a comunidade internacional precisa voltar a resolver os conflitos por meio da diplomacia e do direito internacional, abandonando o recurso às armas. Segundo o chefe da organização criada após a Segunda Guerra Mundial, o futuro da humanidade depende do trabalho conjunto em torno desses três pilares essenciais. Esse chamado ao multilateralismo ocorre em um cenário internacional pressionado por crises simultâneas que testam a capacidade de resposta das instituições globais.Crises humanitárias e avanço tecnológicoAs pressões sobre o sistema multilateral decorrem do agravamento das guerras, das mudanças climáticas e do aumento das desigualdades socioeconômicas entre as nações. Na avaliação do secretário-geral, a ONU permanece como uma peça indispensável do tecido social contemporâneo. A entidade atua diretamente na erradicação da pobreza e da fome, além de fornecer assistência humanitária vital para populações atingidas por confrontos armados, catástrofes naturais e deslocamentos forçados. Além das emergências humanitárias e ambientais, Guterres alertou para o risco das novas tecnologias que avançam mais rapidamente do que a capacidade regulatória dos Estados. Para enfrentar essas transformações sem gerar novas divisões geopolíticas, o líder enfatizou a necessidade de resgatar os compromissos políticos assumidos na criação da entidade.Renovação dos compromissos com o DireitoA superação das tensões atuais exige a reafirmação direta dos princípios estabelecidos pelos Estados signatários da Carta das Nações Unidas. Em seu pronunciamento, Guterres defendeu a substituição da divisão pelo diálogo, do confronto pela cooperação e do medo pela solidariedade mútua. O secretário-geral apelou a todos os governos para que renovem a determinação de defender o direito internacional e cumpram as obrigações previstas no tratado fundador. O fortalecimento dessas normas jurídicas busca garantir que a organização continue servindo aos povos com eficácia diante das disputas de poder do século XXI. Essa legitimidade normativa, que hoje abrange quase a totalidade dos países do planeta, tem raízes históricas na arquitetura diplomática desenhada em 1945.Legado de 1945 e participação brasileiraAs bases jurídicas e políticas das Nações Unidas foram estabelecidas em 1945, quando delegações de 50 países se reuniram na Conferência de São Francisco, nos EUA, para redigir e assinar o documento constitutivo da organização. A entrada em vigor da Carta ocorreu em 24 de outubro daquele ano, após a ratificação pela maioria dos signatários e pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU), grupo formado por EUA, Rússia (então União Soviética), China, França e Reino Unido. O Brasil atuou como um dos Estados fundadores da entidade e teve destaque diplomático com a cientista e delegada Bertha Lutz, uma das quatro únicas mulheres signatárias da Carta em 1945. Atualmente composta por 193 Estados-membros, a ONU mantém alcance universal, mas enfrenta o desafio de converter sua capacidade de mobilização em resultados concretos para a estabilidade internacional.