Itamaraty comemora 40 anos do reatamento das relações diplomáticas entre Brasil e Cuba

Política Externa Brasileira — América do Sul

A celebração inclui a instalação de uma nova sede cultural para fomentar as relações institucionais em Cuba.

Celebração diplomática oficialO Ministério das Relações Exteriores publicou a Nota à Imprensa de número 209 nesta sexta-feira, 26 de junho de 2026, para comemorar oficialmente os 40 anos do reatamento das relações diplomáticas entre o Brasil e Cuba. O documento governamental também enaltece os 120 anos da criação da Legação do Brasil em Havana, estabelecida originalmente em novembro de 1906. Para coroar as quatro décadas de reaproximação institucional, o governo brasileiro anunciou a inauguração da "Casa Brasil" para o mês de setembro, localizada no centro histórico da capital cubana. Administrado pela Oficina do Historiador da Cidade de Havana, o novo espaço abrigará exposições artísticas, cursos e palestras, visando fomentar o intercâmbio educacional e a promoção da cultura nacional na nação caribenha.Ruptura durante a Guerra FriaA histórica interrupção dos laços entre os dois países ocorreu em 1964, configurando-se como a primeira ação internacional de peso do regime militar instaurado no território brasileiro. O rompimento foi motivado pela dinâmica geopolítica da Guerra Fria, período em que o receio de uma expansão do modelo da revolução cubana e de um alinhamento sistêmico com a União Soviética dominava as decisões políticas. Esse temor ideológico serviu como um dos principais pretextos para a deposição do então presidente João Goulart. A ausência de canais diplomáticos bilaterais perdurou por mais de duas décadas, isolando diplomaticamente as duas nações em suas respectivas estratégias de inserção regional.Campanhas e retomada dos vínculosO cenário de afastamento começou a mudar na primeira metade da década de 1980, impulsionado por esforços do Legislativo brasileiro para normalizar o diálogo. Desde 1983, o deputado João Hermann Neto, filiado ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), liderou uma mobilização intensa na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados em prol da restauração do relacionamento. O esforço culminou no reestabelecimento formal das relações em 1986, durante a presidência de José Sarney, com a reabertura da Embaixada do Brasil em Havana pelo embaixador Ítalo Zappa. Esse marco diplomático abriu caminho para uma troca contínua de visitas de alto nível, englobando a viagem do chanceler brasileiro a Cuba em 1987, a vinda de Fidel Castro ao Brasil em 1989 e a assinatura de um amplo tratado de cooperação em 1988.Expansão econômica e acordos contemporâneosAs relações ganharam um impulso comercial e estratégico expressivo a partir de 2003, sob a primeira gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante uma visita de Estado à ilha, o chefe do Executivo brasileiro assinou doze acordos em áreas estruturais, englobando o reconhecimento de diplomas médicos, a concessão de bolsas de estudo, a pesquisa petrolífera conjunta liderada pela Petrobras e a produção de etanol. Nos anos seguintes, o Brasil apoiou aportes de empresas nacionais na infraestrutura cubana, com destaque para a modernização do Porto de Mariel, auxiliando Havana no esforço para recompor sua economia após a derrocada do bloco soviético. O adensamento dessa parceria pavimentou o caminho para iniciativas posteriores de grande magnitude, como a criação do programa Mais Médicos pela presidenta Dilma Rousseff em 2014, cimentando uma aliança perene na política externa brasileira para a América Latina.