EUA alertam aliados sobre possíveis ataques ao Irã após eleições
Segurança e Paz — Oriente Médio
Os avisos preveem retaliações contra instalações de energia na região.
Avisos diplomáticos no Oriente MédioAutoridades de defesa e diplomatas dos Estados Unidos (EUA) orientaram governos aliados do Oriente Médio a se prepararem para uma possível retomada de ações militares contra o Irã após as eleições legislativas norte-americanas de 3 de novembro de 2026. Washington também recomendou a adoção de medidas preventivas diante do risco de retaliações iranianas contra instalações de energia e infraestruturas essenciais. Embora o presidente Donald Trump ainda não tenha tomado uma decisão final sobre novos bombardeios, os comunicados indicam que uma eventual operação pode durar vários dias. Esses alertas reacendem o temor de ampliação da guerra iniciada no fim de fevereiro de 2026, apesar das tentativas de negociação em andamento.Tentativas de mediação e conflitosEm resposta ao aumento das tensões, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou, nesta quarta-feira, que Teerã trabalha com mediadores internacionais para revisar uma proposta de cessar-fogo apresentada em setembro e rejeitada anteriormente pela Casa Branca. No mesmo dia, o Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos divulgou nota pedindo soluções políticas para evitar o retorno das operações em larga escala. Ainda que as forças norte-americanas não realizem ataques diretos contra o território iraniano desde o início de setembro de 2026, os confrontos regionais prosseguem com ofensivas de rebeldes houthis do Iêmen contra instalações petrolíferas e aeroportos da Arábia Saudita, seguidas por bombardeios de resposta da coalizão liderada por Riad. Esse cenário levou o governo norte-americano a ampliar o deslocamento de tropas para a região nas últimas semanas.Reforço naval no Golfo PérsicoNo fim de setembro de 2026, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos enviou o porta-aviões USS Theodore Roosevelt e navios de desembarque anfíbio com cerca de 9 mil militares de San Diego para o Golfo Pérsico. Esse contingente elevou a presença naval norte-americana na área para mais de 20 mil marinheiros e fuzileiros navais, além de centenas de aeronaves, após a Marinha já ter reunido três grupos de ataque de porta-aviões no Oriente Médio em abril de 2026, fato inédito desde 2003. Em meio a essa mobilização, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, demitiu em 28 de outubro o tenente-general Brett Sylvia do cargo de chefe de estratégia, planejamento e política do Estado-Maior Conjunto. Esse conjunto de movimentações militares ocorre paralelamente aos cálculos políticos sobre os impactos internos da guerra.Eleições e risco de prolongamentoDurante discurso de campanha, Donald Trump afirmou que o encerramento da guerra de oito meses pode ocorrer em algumas semanas, desde que haja uma declaração formal de que o Irã jamais terá armas nucleares, enquanto a Fundação para a Defesa das Democracias apontou que países do Oriente Médio monitoram a possibilidade de Teerã agir antes mesmo do pleito de 3 de novembro caso avalie que uma ofensiva norte-americana é inevitável. A disputa legislativa exerce influência sobre esse cronograma militar porque o conflito já custou 47,1 bilhões de dólares aos cofres públicos dos Estados Unidos, segundo estimativa do Pentágono enviada ao Congresso, e elevou o preço da gasolina, gerando desgaste para os candidatos do Partido Republicano junto ao eleitorado. Ao adiar eventuais bombardeios para depois da votação, o governo norte-americano tenta evitar novos choques imediatos no mercado de petróleo e na inflação doméstica. Caso essa nova etapa de ataques se confirme após o pleito, o conflito arrisca prolongar-se com danos à infraestrutura energética do Golfo Pérsico, reduzindo o espaço para as mediações diplomáticas de cessar-fogo no curto prazo.