Estados Unidos quer declarar o Estreito de Ormuz como território norte-americano após d...
Segurança e Paz — Oriente Médio
Trump anuncia o plano, mas Teerã afirma que a importante via marítima seguirá sendo iraniana.
O discurso de Donald TrumpO presidente norte-americano Donald Trump anunciou a intenção de declarar o Estreito de Ormuz como território norte-americano. A fala, proferida durante um evento em Nova York, ocorre em um cenário de intensificação das operações militares contra Teerã, que se prolongam por mais de cinco meses. A proposta, ainda vista com cautela por analistas internacionais quanto à sua viabilidade prática, eleva a tensão na região do Golfo Pérsico e sinaliza uma mudança agressiva na estratégia de Washington para o controle de vias marítimas cruciais ao comércio global.O plano para o Estreito de OrmuzDesde o início das hostilidades em 28 de fevereiro de 2026, o Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito do mundo antes do conflito, tornou-se o epicentro de uma paralisia logística. A administração Trump tem utilizado o tema como peça central de seu discurso doméstico, buscando justificar as dificuldades econômicas e o aumento dos preços de combustíveis perante o eleitorado americano, especialmente com as eleições de meio de mandato de novembro se aproximando. O governo sustenta que as medidas são necessárias para impedir que o Irã obtenha armas nucleares, tratando o desgaste econômico como um custo aceitável para a segurança global.A resistência de Teerã e a reafirmação de soberaniaEm resposta direta à ameaça de Washington, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã para assuntos jurídicos e internacionais, Kazem Gharibabadi, emitiu um posicionamento contundente classificando as declarações como fantasias políticas. O governo sublinhou que a via marítima pertence historicamente ao Irã e que permanecerá sob o comando de suas forças, enfatizando que o bloqueio ao trânsito de embarcações continuará em vigor como resposta às ações militares americanas. Teerã deixou claro que não pretende ser intimidado e que a autoridade sobre o canal não será transferida sob nenhuma hipótese.O fracasso diplomático e as consequências globaisA escalada atual reflete o colapso definitivo do memorando de entendimento firmado entre os dois países em junho de 2026, que previa a reabertura do estreito e o compromisso iraniano de cessar atividades nucleares em troca da retirada de sanções. O descumprimento dos termos, seguido por novos ataques a navios e o consequente retorno do bloqueio naval americano, minou as perspectivas de um acordo imediato. A crise resultante continua pressionando os mercados globais de energia, enquanto Washington e Teerã permanecem trancados em uma dinâmica de força sobre uma das áreas mais sensíveis para a economia mundial.