Pentágono Planeja Campanha Prolongada contra Irã

Segurança e Paz — Ásia e Oceania

Militares americanos preparam operações de semanas contra Irã se Trump ordenar ataque, revelam dois oficiais à Reuters; planejamento vai além de instalações ...

Os militares dos Estados Unidos estão se preparando para a possibilidade de operações sustentadas e prolongadas — potencialmente de semanas — contra o Irã, caso o presidente Donald Trump ordene um ataque, revelaram dois oficiais americanos à agência Reuters neste sábado, 14 de fevereiro de 2026, em uma divulgação de caráter excepcional que elevou substancialmente as apostas da diplomacia em curso entre Washington e Teerã.A revelação foi feita com os oficiais falando em condição de anonimato, em razão da sensibilidade do planejamento em questão. Ela surge no exato momento em que os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner se preparavam para realizar negociações indiretas com representantes iranianos em Genebra, previstas para a terça-feira seguinte, 17 de fevereiro, com representantes do Sultanato de Omã atuando como mediadores.O escopo do planejamento militar divulgado pela Reuters é mais amplo do que tudo o que foi previamente reportado. De acordo com um dos oficiais, uma campanha sustentada poderia incluir ataques a instalações estatais e de segurança iranianas, e não apenas à infraestrutura nuclear. A fonte declarou que os EUA esperavam plenamente que o Irã revidasse, gerando um ciclo de ataques e retalições ao longo de um período de tempo. Especialistas de defesa consultados pelo jornal afirmaram que os riscos para as forças americanas seriam consideravelmente maiores nesse cenário do que em qualquer ação anterior, dado o formidável arsenal de mísseis do Irã.O contexto imediato do vazamento é fundamental para compreendê-lo. Em junho de 2025, os EUA lançaram a chamada Operação Midnight Hammer — essencialmente um ataque único, com bombardeiros stealth partindo diretamente do território americano para atingir instalações nucleares iranianas. O Irã, naquela ocasião, respondeu com um ataque retaliativo limitado contra uma base americana no Catar. O planejamento em curso em fevereiro de 2026, conforme os oficiais revelaram, é mais complexo e de longa duração — o que representa uma mudança qualitativa significativa em relação ao modelo anterior.Naquele mesmo sábado, 14 de fevereiro, o presidente Trump confirmou publicamente o envio de um segundo grupo de ataque de porta-aviões ao Oriente Médio — o USS Gerald R. Ford, com o Carrier Strike Group 12 — após a conclusão de operações no Caribe relacionadas à Operação Southern Spear. Com isso, dois porta-aviões americanos passavam a operar na região simultaneamente, o maior desdobramento naval desde a invasão do Iraque em 2003. Imagens de satélite analisadas pela Reuters mostravam concentração maciça de equipamentos nas bases americanas da região: na base de Al-Udeid, no Catar, a maior instalação americana no Oriente Médio, mísseis Patriot haviam sido posicionados em lançadores móveis; na base de Muwaffaq Salti, na Jordânia, 17 caças F-15E Strike Eagle, oito aeronaves de ataque terrestre A-10 Thunderbolt e quatro jatos de guerra eletrônica EA-18G Growler tinham aparecido onde nenhuma aeronave estivera semanas antes.A porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, ao ser questionada sobre o planejamento divulgado, afirmou que "o presidente Trump tem todas as opções sobre a mesa no que diz respeito ao Irã". O Pentágono não comentou. Trump havia reiterado repetidamente suas ameaças de bombardear o Irã por causa de seus programas nuclear e de mísseis balísticos, e por causa da repressão ao protesto interno. Um dia antes, no dia 13 de fevereiro, o próprio Trump havia declarado que uma mudança de regime no Irã seria "a melhor coisa que poderia acontecer".A divulgação da Reuters veio no mesmo dia em que, nas ruas de Munique, mais de 250.000 pessoas se manifestavam — ao lado da Conferência de Segurança — pedindo a queda do regime islâmico iraniano, em um "Dia Global de Ação" convocado pelo príncipe exilado Reza Pahlavi. O filho do último xá declarou à Reuters que via sinais de que o governo iraniano estava à beira do colapso e que um ataque poderia acelerar a sua queda: "Esperamos que esse ataque acelere o processo e que o povo possa finalmente voltar às ruas e levá-lo até a queda final do regime", afirmou Pahlavi.O secretário de Estado Marco Rubio, falando à margem da Conferência de Munique, advertiu naquele sábado que, embora a preferência de Trump fosse chegar a um acordo com Teerã, isso era "muito difícil de conseguir". O tom de Rubio contrastava com o discurso do senador Lindsey Graham, que fazia campanha aberta por mudança de regime no Irã a partir da mesma plataforma de Munique.Para o Brasil, o CACD e o Itamaraty, o episódio configurou um dos momentos de maior tensão no Oriente Médio desde a segunda invasão do Iraque. A potência de qualquer operação militar americana contra o Irã teria efeitos em cascata sobre os preços globais do petróleo, sobre as rotas de navegação pelo Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — e sobre a estabilidade de toda a região, afetando diretamente os interesses brasileiros como grande consumidor e potencial exportador de energia.