Reunião de urgência do Conselho de Segurança debate escalada da violência no Haiti

Segurança e Paz — América Latina

Novas atrocidades de gangues em Kenscoff aumentam apelos por intervenção diante da crise humanitária alarmante.

O cenário de criseA crise de segurança no Haiti, marcada por um massacre recente em Kenscoff, motivou a realização de uma reunião de emergência no Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) nesta sexta-feira, 28 de agosto de 2026. O encontro focou na brutalidade dos grupos armados que, na noite de 23 de agosto, assassinaram ao menos 47 civis e sequestraram dezenas de pessoas, desencadeando um novo apelo internacional por medidas de pacificação. A situação atual reflete a deterioração acelerada da ordem pública no país caribenho, onde a capacidade de governança das instituições locais enfrenta desafios crescentes diante da expansão do controle territorial por facções criminosas.A deterioração da segurança e o colapso humanitárioOs episódios de violência, que incluem execuções sumárias, feminicídios, estupros coletivos e o recrutamento forçado de menores, revelam a face mais obscura do conflito haitiano. A crise humanitária é agravada pelo fluxo ilícito de armas que, violando o embargo da ONU vigente desde 2022, fortalece as gangues locais. Embora o governo haitiano tenha mobilizado as Forças Armadas e a Polícia Nacional em conjunto com forças internacionais para retomar territórios, a população civil continua a viver sob o risco constante de incêndios, sequestros e operações de drones organizadas por grupos armados. Todo esse cenário mantém, atualmente, 1,5 milhão de pessoas deslocadas internamente.O histórico da ONU e os desafios de estabilizaçãoA atuação da ONU no Haiti possui um longo histórico, que inclui missões de paz anteriores nas quais o Brasil desempenhou papel central na liderança militar e estratégica. Atualmente, o Conselho de Segurança concentra esforços na Força de Supressão de Gangues (GSF), autorizada pela resolução 2793 de 2025 para conter a escalada de crimes, embora a operacionalização completa da força enfrente obstáculos logísticos e o desafio contínuo de bloquear o contrabando de munições. Na última terça-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres, já havia reiterado a necessidade urgente de investigar os massacres por meio das unidades judiciais especializadas, enfatizando que a impunidade é um dos principais motores que permitem a manutenção do poder criminoso sobre as comunidades vulneráveis.O posicionamento dos membros do Conselho e a via para a estabilidadeDurante a reunião desta sexta-feira, representantes dos Estados-membros condenaram os ataques e exigiram a aceleração da implementação da GSF para restaurar a autoridade do Estado haitiano. O Brasil destacou que a estabilidade duradoura depende da superação das causas estruturais da crise, defendendo que o combate à criminalidade seja acompanhado por investimentos em inclusão socioeconômica, alternativas de emprego para a juventude e fortalecimento institucional. O debate consolidou o consenso de que, embora a segurança seja a premissa imediata para a normalização do país, a solução final requer um processo de pacificação genuinamente liderado pelos haitianos, capaz de romper definitivamente o ciclo de violência e miséria que assola a nação.