Países Baixos anunciam contribuição milionária em fundo florestal do Brasil

Meio Ambiente — Global

O investimento soma-se aos recursos britânicos e eleva a capitalização para sete bilhões.

O avanço na capitalização internacionalO governo dos Países Baixos comunicou oficialmente ao seu Parlamento, em 26 de outubro de 2026, a decisão de investir 500 milhões de dólares (cerca de 2,7 bilhões de reais) no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). O anúncio ocorre um mês após o Reino Unido confirmar o repasse de 400 milhões de libras esterlinas (aproximadamente 540 milhões de dólares), elevando o total de promessas acumuladas pelo fundo para 7,8 bilhões de dólares. O Ministério das Relações Exteriores (MRE) celebrou os dois compromissos financeiros como passos fundamentais para atingir a meta inicial de 10 bilhões de dólares até o fim deste ano, patamar necessário para o início prático das operações. O desembolso dos Países Baixos terá sua formalização diplomática concluída em novembro, durante a 31a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31), em Antália, na Turquia.Origem diplomática em BelémEssa articulação teve início em novembro de 2025, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou oficialmente o TFFF durante a COP30, em Belém, no Pará. A declaração de lançamento do fundo conta atualmente com o endosso formal de 67 países e da União Europeia, englobando nações que detêm 90% das florestas tropicais do mundo em desenvolvimento. Além do Brasil e dos recentes aportes britânico e neerlandês, governos como Alemanha, França, Noruega, Luxemburgo e Indonésia já integram o grupo de apoiadores ao lado de investidores privados. Os Países Baixos também se declararam dispostos a ampliar a cooperação bilateral com Brasília nas áreas de clima, comércio e segurança, reforçando a arquitetura financeira planejada para o mecanismo.Arquitetura financeira e remuneração por resultadosO TFFF opera por meio de um modelo híbrido que combina aportes soberanos e capitais privados, e o objetivo de longo prazo é captar 125 bilhões de dólares, sendo 25 bilhões provenientes de cofres públicos e 100 bilhões captados no mercado financeiro internacional. Esse montante global será aplicado em uma carteira de investimentos com rendimento anual estimado entre 7% e 8%, destinando cerca de 4% para remunerar os investidores e os outros 4% para pagar os países que mantiverem suas matas em pé. Pela regra operacional, as nações em desenvolvimento receberão 4 dólares por hectare preservado, sofrendo descontos proporcionais em casos de desmatamento ou incêndios, com a obrigatoriedade de repassar ao menos 20% dos recursos diretamente a povos indígenas e comunidades tradicionais.Os desafios até a conferência na TurquiaA urgência na implementação desses pagamentos reflete os dados recentes monitorados pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF): o mundo perdeu 4,3 milhões de hectares de florestas tropicais apenas em 2025, o que equivale a uma área territorial do tamanho da própria Holanda. Com isso, a criação de incentivos econômicos permanentes é essencial para reverter a lógica em que o desmatamento gera mais lucro imediato do que a preservação ambiental. Com 78% do capital inicial já assegurado antes do encontro em Antália, resta aos negociadores brasileiros atrair os 2,2 bilhões de dólares restantes para provar a viabilidade comercial do fundo perante os mercados globais.