Washington Post demite um terço da redação: 300 jornalistas dispensados, seção de espor...

Governança Global — América do Norte

Em 4 de fevereiro de 2026, o Washington Post demitiu mais de 300 jornalistas — um terço de sua redação —, eliminou as seções de esportes e livros, suspendeu ...

Na manhã de quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, os jornalistas do Washington Post foram instruídos a ficar em casa e aguardar uma chamada de vídeo com a liderança da empresa. Às 9h19 do horário do leste americano, o jornal confirmou publicamente ao NBC News que estava tomando "uma série de ações difíceis mas decisivas para o nosso futuro, no que equivale a uma reestruturação significativa em toda a empresa". A chamada foi conduzida pelo editor-executivo Matt Murray e pelo diretor de recursos humanos Wayne Connell. Notavelmente ausentes da chamada estavam o proprietário Jeff Bezos — fundador da Amazon, dono do Post desde 2013 — e o publisher Will Lewis, conforme registrou o Washingtonian. Mais de 300 dos aproximadamente 800 jornalistas da redação foram demitidos, conforme confirmou um porta-voz do Post ao NBC News — número que, quando somado às reduções dos últimos três anos, significava que a redação estava agora menor do que quando Bezos comprou o jornal em 2013, conforme documentou a Britannica.A reestruturação foi a mais abrangente na história recente do Post. A seção de esportes foi eliminada inteiramente. A seção de livros foi fechada. O podcast diário Post Reports foi suspenso. O bureau metropolitano — responsável pela cobertura de Washington D.C. e suas vizinhanças, uma das coberturas historicamente mais distintas do jornal — foi reduzido de 40 para aproximadamente 12 repórteres, conforme o Washingtonian. Todos os fotojornalistas da redação foram aparentemente demitidos, conforme o Washingtonian reportou com base em postagens de funcionários demitidos. Os bureaus internacionais no Oriente Médio, Índia e Austrália foram fechados ou severamente reduzidos; correspondentes que cobriam China, Turquia e Irã confirmaram nas redes sociais que haviam perdido seus cargos, conforme documentou o site Best Media Info com base em postagens dos próprios repórteres. O chefe do bureau de Nova Délhi, Pranshu Verma, confirmou sua demissão no X. O correspondente de política internacional Ishaan Tharoor publicou foto de uma redação vazia sob o slogan "Democracy Dies in Darkness" com a legenda: "Um dia ruim", conforme registrou o Washingtonian. O Washington Post Guild, sindicato que representa centenas de funcionários da redação, disse em nota que a redação havia sido reduzida em mais de 400 pessoas nos últimos três anos e que "uma redação não pode ser esvaziada sem consequências para sua credibilidade, seu alcance e seu futuro", conforme o NBC News.Murray disse durante a chamada que a estrutura do jornal estava "enraizada demais em uma era diferente, quando éramos um produto local impresso dominante", conforme o NBC News. "Infelizmente, algumas [áreas], como vídeo, não acompanharam as mudanças na forma como os consumidores obtêm notícias e informações. Significativamente, nossa produção diária de matérias caiu substancialmente nos últimos cinco anos", disse Murray, conforme o Washingtonian. As áreas que permaneceriam com foco editorial incluíam política, assuntos nacionais, segurança nacional, ciência, saúde, tecnologia, clima, negócios, bem-estar, cultura e investigações, conforme o Press Gazette. Marty Baron — que liderou o Post de 2012 a 2021, incluindo o período do primeiro mandato de Trump, e cuja liderança foi central para coberturas premiadas com o Pulitzer — disse ao The Guardian que acreditava que os demissionamentos levariam diretamente a cancelamentos de assinaturas, o que esperava não resultasse em uma "espiral da morte" para o jornal. Em entrevista à CNN na noite anterior, Baron disse que o pivô pró-Trump de Bezos havia "afugentado leitores e assinantes" e classificou os cortes como "um recuo, não uma reinvenção", conforme o Washingtonian. "Os esforços nauseabundos de Bezos de conquistar o favor do presidente Trump deixaram uma marca especialmente feia por si só", escreveu Baron em nota ao New York Times. "Este é um estudo de caso de destruição quase instantânea de uma marca, autoinfligida." O Post havia perdido estimados US$ 100 milhões em 2024, conforme o Washingtonian — e sua redação, que havia superado 1.000 jornalistas em 2022, estava agora abaixo do tamanho que tinha quando Bezos a comprou em 2013 por US$ 250 milhões.