Países Prometem Mais de US$ 1,5 Bilhão Para Aliviar a Fome no Sudão
Direitos Humanos — Europa
Conferência internacional na Alemanha arrecada fundos de ajuda humanitária enquanto a guerra civil entra no seu terceiro ano e as partes em conflito boicotam...
O Esforço Financeiro da Comunidade Internacional Uma importante conferência internacional focada em arrecadar compromissos de financiamento urgentes para o Sudão resultou em promessas sólidas de mais de € 1,3 bilhão (cerca de US$ 1,53 bilhão) em ajuda humanitária. O anúncio oficial dos valores foi feito nesta quarta-feira (15) pelo atual ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul. A guerra brutal e sangrenta entre o exército regular sudanês e as Forças de Apoio Rápido, um poderoso grupo paramilitar rebelde, entra exatamente no seu terceiro ano nesta quarta-feira, tendo criado o cenário que as organizações internacionais de ajuda afirmam ser, atualmente, a pior crise humanitária em curso no mundo. Wadephul agradeceu de forma enfática aos doadores internacionais por seus compromissos financeiros em meio à crise global. "Eles ajudam a aliviar o sofrimento do povo do Sudão, ajudam a salvar vidas e mostram que este conflito não foi esquecido", disse o ministro.O Retorno do Sudão ao Centro das Atenções Com os gastos com desenvolvimento dos países doadores tradicionais cada vez mais pressionados por outras demandas, a conferência diplomática teve como objetivo principal trazer novamente a tragédia do Sudão ao centro das atenções globais. O foco político e financeiro global tem sido recentemente desviado de forma acentuada para a guerra mais longa na Ucrânia e para a explosão do conflito direto envolvendo o Irã e Israel no Oriente Médio. Longe dos holofotes da grande mídia ocidental, milhões de pessoas sudanesas foram forçadas a fugir de suas casas, e a fome generalizada deixou grande parte da população totalmente dependente de assistência alimentar externa, enquanto muitas instituições estatais do país se encontram à beira do colapso total. "A conferência de Berlim é um sinal importante de que o Sudão não está sendo esquecido. No entanto, a triste tragédia é que o fim da guerra parece tão distante como sempre", disse Comfort Ero, presidente e CEO do International Crisis Group.O Boicote das Partes e a Pressão Diplomática O evento diplomático contou com a presença de autoridades representantes de mais de 60 países e de 50 ONGs sudanesas e internacionais, demonstrando um amplo engajamento civil. No entanto, o fato mais marcante foi que nenhuma das duas partes em conflito militar enviou representantes oficiais, refletindo a grave ausência de um acordo mínimo de cessar-fogo. A secretária de Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper, reiterou durante o evento a necessidade absoluta de apoio humanitário para aliviar o sofrimento imediato no Sudão, mas deixou claro que os combates precisam terminar o mais rápido possível para que a ajuda seja efetiva. "Precisamos garantir que toda pressão possível seja exercida sobre as partes em conflito para alcançar o cessar-fogo urgente que precisamos desesperadamente ver", afirmou a representante do Reino Unido.A Rejeição Sudanesa e o Medo Migratório Encontrar maneiras de interromper o fluxo constante de armas para a região vai demandar muita atenção, mas a tarefa enfrentada pela comunidade internacional tem sido amplamente complicada pelos combates em andamento. O governo oficial sudanês classificou nesta quarta-feira os planos da conferência europeia como uma interferência surpreendente e inaceitável em seus assuntos internos e alertou que o engajamento externo com grupos paramilitares minaria a soberania do país. Por sua vez, o governo paralelo administrado pelas Forças de Apoio Rápido também rejeitou a conferência de forma oficial, afirmando que elementos políticos próximos ao exército estavam entre os participantes. O ministro Wadephul disse que não é apenas uma obrigação ética garantir que as pessoas não enfrentem a fome, mas também é do interesse da Alemanha e da Europa evitar um grande fluxo migratório semelhante ao ocorrido no Oriente Médio entre 2015 e 2016. Para dar o exemplo, a Alemanha está prometendo € 232 milhões ao Sudão e aos países vizinhos que abrigam milhões de refugiados.