Israel Bombardeia a Votação para o Novo Líder Supremo do Irã
Segurança e Paz — Oriente Médio
A Força Aérea israelense ataca a sede da Assembleia dos Especialistas em Qom enquanto os 88 clérigos contavam votos para eleger o sucessor de Khamenei.
Na tarde de terça-feira, 3 de março de 2026, a Agência de Notícias Tasnim — o canal semioficial do IRGC — publicou nota lacônica afirmando que "os criminosos americano-sionistas atacaram o edifício da Assembleia dos Especialistas em Qom", conforme reproduziram a Euronews, o FDD e o Times of Israel. O brigadeiro-general Effie Defrin, porta-voz do IDF, confirmou publicamente o ataque horas depois, dizendo que a Força Aérea israelense havia realizado o strike contra o edifício em Qom "onde clérigos seniores haviam se reunido para escolher o novo Líder Supremo do Irã", conforme o Times of Israel e a Bloomberg. Um oficial de defesa israelense anônimo disse ao Axios de forma ainda mais direta: "Queríamos impedir que eles escolhessem um novo líder supremo". O mesmo oficial confirmou que o ataque havia ocorrido durante uma sessão ativa de votação — enquanto os membros da Assembleia contavam os votos —, que o secretário do Conselho e múltiplos funcionários responsáveis pela contagem dos votos haviam morrido nos strikes, e que a urna oficial de votação havia sido destruída, conforme o Axios, o FDD e o Jerusalem Post documentaram. A mídia estatal iraniana — a IRIB e a ISNA — afirmou que as instalações haviam sido evacuadas com antecedência como medida de precaução e que não havia nenhum membro da Assembleia no edifício no momento do ataque, conforme a Bloomberg e a Tasnim. As duas versões — israelense (ataque durante a contagem de votos, mortes confirmadas) e iraniana (edifício vazio, nenhuma vítima) — eram diametralmente opostas e não puderam ser verificadas de forma independente no momento, conforme registrou a Bloomberg. Imagens verificadas por geolocalização pelo analista de inteligência de código aberto Geolocated War (@geolocwar) mostravam o edifício em estado de destruição severa — com a estrutura principal visivelmente destruída e escombros espalhados —, conforme o Jerusalem Post publicou com legenda creditando a seção 27A do Direito Autoral.O ataque a Qom havia sido precedido, mais cedo no mesmo dia, por um strike israelense contra o quartel-general da Assembleia dos Especialistas em Teerã — o prédio do antigo parlamento iraniano —, conforme a Tasnim e a ISNA informaram e o Times of Israel e o FDD documentaram. Os dois ataques ao mesmo órgão no mesmo dia configuravam uma campanha deliberada de interrupção do processo de sucessão constitucional do Irã — o processo mais crítico e mais politicamente sensível da República Islâmica desde a morte de Khomeini em 1989. O porta-voz do IDF Defrin acrescentou, numa declaração amplamente divulgada, que Israel "continuaria perseguindo cada sucessor" ao Líder Supremo — sinalizando que qualquer indivíduo que se tornasse candidato formal ao cargo passaria a ser considerado alvo legítimo pelo IDF, conforme o Times of Israel e o FDD analisaram. Enquanto o processo eleitoral se fragmentava sob as bombas, o Conselho de Liderança Interino — formado pelo presidente Masoud Pezeshkian, pelo chefe do Judiciário Gholam-Hossein Mohseni-Ejei e pelo clérigo Alireza Arafi — realizava sua terceira reunião desde a morte de Khamenei, exercendo as funções executivas do Líder Supremo de forma provisória, conforme previsto pelo Artigo 111 da Constituição iraniana, conforme a Euronews e a CNBC documentaram.O ambiente do processo sucessório havia se tornado, por design israelense, profundamente hostil ao funcionamento constitucional normal. O IRGC passou a fazer pressão aberta — e segundo oito membros da Assembleia que falaram ao portal Zed TV, pressão coercitiva — sobre os clérigos para que votassem em Mojtaba Khamenei, filho de 55 anos do Líder Supremo assassinado e figura com forte apoio das facções mais radicais do Corpo da Guarda, conforme documentou o FDD com base nas declarações dos membros dissidentes da Assembleia. Dos candidatos viáveis do ponto de vista constitucional — que exige que o sucessor tenha credenciais de grande ayatolá ou, no mínimo, de ayatolá com experiência em gestão —, os analistas da Euronews e da CNBC identificavam apenas dois com suporte institucional real: Arafi, o único membro do Conselho Interino que também era membro da Assembleia e, portanto, poderia votar em si mesmo (o que a maioria dos analistas considerava improvável mas constitucionalmente legítimo), e Mohseni-Ejei, o chefe do Judiciário. Mojtaba Khamenei — que também era membro da Assembleia — era amplamente visto como o candidato do IRGC mas não como o candidato do establishment clerical tradicional, que resistia à ideia de uma sucessão dinástica, conforme a CNBC e a Euronews analisaram. "Vai haver muita negociação de bastidores", disse o professor Amin Saikal, da Universidade da Austrália Ocidental, à CNBC. "Quem quer que emerja pode ser uma figura de compromisso." Michael McFaul, ex-embaixador americano na Rússia e professor de Stanford, disse à CNBC que campanhas aéreas historicamente raramente levam à derrubada de regimes — questionando como os strikes, que visavam ativos militares mais do que instrumentos internos de repressão, se traduziriam em mudança de regime, o objetivo não declarado mas amplamente inferido da Operação Epic Fury.