Rubio Visita Bratislava e Defende Negociação com Irã

Segurança e Paz — Europa

 Secretário de Estado americano encerra participação na MSC e viaja para Eslováquia, onde afirma em coletiva com Fico que Trump "prefere diplomacia" com...

O secretário de Estado americano Marco Rubio chegou a Bratislava, capital da Eslováquia, neste domingo, 15 de fevereiro de 2026, após encerrar sua participação de três dias na 62ª Conferência de Segurança de Munique, e realizou encontro bilateral com o primeiro-ministro eslovaco Robert Fico na sede do governo, como parte de uma viagem pela Europa Central que incluiria, no dia seguinte, um encontro com o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán em Budapeste. A visita a Bratislava representou o início de uma segunda fase da turnê europeia de Rubio — uma passagem por capitais governadas por líderes populistas alinhados ao trumpismo, que os analistas leram como um sinal do tipo de parceria que Washington buscava consolidar no continente europeu.Na coletiva de imprensa conjunta com Fico, realizada no palácio do governo eslovaco e transmitida ao vivo pelo Departamento de Estado americano, Rubio foi inquirido sobre os planos militares contra o Irã revelados pela Reuters no dia anterior. O secretário de Estado se recusou a discutir a hipótese de ataques, declarando que não iria "falar sobre ataques ao Irã ou qualquer coisa do tipo, porque o presidente deixou claro que prefere diplomacia e um desfecho de acordo negociado." Rubio foi explícito sobre as complexidades da negociação com Teerã: "Estamos lidando com clérigos xiitas radicais. Estamos lidando com pessoas que tomam decisões políticas e geopolíticas com base em pura teologia, e é algo complicado. Ninguém jamais conseguiu fazer um acordo bem-sucedido com o Irã, mas vamos tentar." Ele acrescentou que os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner estavam "viajando agora mesmo" para encontros importantes, numa referência às negociações de Genebra previstas para 17 de fevereiro.Sobre a postura militar americana no Oriente Médio, Rubio foi claro em sua justificativa: os EUA estavam "posicionados na região por um único motivo: porque entendemos que pode haver ameaças às nossas forças na região." A frase condensava a posição americana de "diplomacia coercitiva" — manter a presença militar como fator de pressão enquanto as negociações avançam. Rubio também declarou que os EUA "sempre cumprirão as leis aplicáveis dos Estados Unidos em termos de envolver o Congresso em quaisquer decisões" militares — uma referência ao debate em Washington sobre a necessidade de autorização congressual para operações militares contra o Irã.A reunião com Fico também incluiu temas de energia e segurança regional. O primeiro-ministro eslovaco expressou preocupação com o fornecimento de petróleo à refinaria de Bratislava, que dependia de importações via Hungria — país cujo fornecimento, segundo Fico, estava sendo ameaçado como "instrumento de chantagem política" no contexto do debate sobre a adesão da Ucrânia à União Europeia. Fico anunciou que a Eslováquia assumiria a presidência do Grupo de Visegrado (V4) em 1º de julho de 2026, e propôs que os EUA participassem de encontros do V4 durante a presidência eslovaca quando os temas fossem relevantes. Rubio afirmou que a Eslováquia era um parceiro valioso para os interesses americanos na Europa Central e comprometeu-se a "construir sobre nossa forte parceria com a Eslováquia."A análise do itinerário europeu de Rubio por especialistas como H.A. Hellyer, do Royal United Services Institute de Londres, era de que a sequência das visitas — ovação em Munique, seguida de encontros em Bratislava e Budapeste — enviava um sinal inequívoco: a atual administração americana enxergava líderes como Fico e Orbán como parceiros preferenciais no continente. "Funciona como um sinal inequívoco de afinidade política", escreveu Hellyer em análise publicada pela NBC News. A NBC News, em matéria ampla publicada em 16 de fevereiro, descreveu a trajetória de Rubio como uma progressão "da reasseguração retórica à Europa Ocidental em Munique, seguida de alcance demonstrativo aos governos da Europa Central politicamente alinhados com a ideologia da administração Trump."Para a aliança transatlântica, a visita de Rubio a Bratislava na tarde do mesmo dia em que encerrara a MSC indicava claramente que, apesar do discurso de reconciliação proferido em Munique, as prioridades operacionais da diplomacia americana permaneciam em outro lugar. A chanceler da diplomacia europeia, Kaja Kallas, havia afirmado no palco da MSC que "a Europa não precisa ser salva"; agora, com Rubio abraçando Fico — um dos mais consistentes opositores ao apoio europeu à Ucrânia e defensor de relações com Moscou —, a leitura europeia da política americana ficava mais sombria.O ministro das Relações Exteriores italiano Antonio Tajani, que havia se reunido com Rubio na margem da MSC, expressou preocupação com a "arquitetura de alianças" que a administração Trump parecia construir na Europa: um eixo de Budapest-Bratislava-Varsóvia (com a ressalva de que a Polônia, ao contrário dos outros dois, era fortemente pró-Ucrânia) como contrapeso aos grandes aliados ocidentais tradicionais. Analistas do European Council on Foreign Relations (ECFR) apontaram que a visita de Rubio a Bratislava sinalizava que o apoio americano a Fico podia tornar mais difícil para a UE lidar com a Eslováquia em temas de política comum, como as sanções à Rússia.