Zelensky Propõe Troca por Eleições
Segurança e Paz — Europa
Presidente ucraniano chega a Munique pedindo dois meses de cessar-fogo em troca de eleições; denuncia que Rússia substituiu negociador para protelar negociaç...
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky chegou a Munique nesta sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026, para participar da 62ª Conferência de Segurança, trazendo consigo uma proposta concreta que rapidamente tomou conta dos bastidores do Hotel Bayerischer Hof: a Ucrânia estaria disposta a realizar eleições presidenciais — demanda crescente dos EUA — se Washington garantisse um cessar-fogo de dois meses com segurança adequada e condições para organização do pleito. A proposta foi confirmada em reportagem do Kyiv Post e em falas diretas de Zelensky à Associated Press (AP) nas margens da conferência.A chegada de Zelensky a Munique ocorreu num momento de grande volatilidade diplomática. Nas horas anteriores, drone strikes de ambos os lados continuaram a matar civis: uma mulher idosa morreu quando um drone russo atingiu um prédio residencial em Odessa, e um civil foi morto por um drone ucraniano no Oblast de Bryansk, na Rússia. As negociações de paz intermediadas pelos EUA, que já haviam passado por duas rodadas em Abu Dhabi, estavam programadas para retornar a Genebra em 17 e 18 de fevereiro — mas a perspectiva de avanços concretos era incerta.Zelensky soou frustrado ao falar com jornalistas. Ele revelou que a Rússia havia trocado o chefe de sua equipe de negociação antes da nova rodada de conversas, movimentação que interpretou como deliberada para protelar as negociações. "Estou surpreso com o fato de que a Rússia substituiu o chefe de sua equipe de negociação", declarou, sugerindo que a mudança sinalizava que Moscou não estava genuinamente comprometida com um acordo.Em relação ao debate sobre eleições na Ucrânia, Zelensky foi direto e ao mesmo tempo cuidadoso. Rejeitou categoricamente a ideia de anunciar eleições em 24 de fevereiro — aniversário da invasão total russa, de 2022 —, classificando tal proposta como "uma ideia estúpida". Sua posição era de que eleições eram possíveis, mas exigiam condições mínimas: um cessar-fogo completo, garantias de segurança robustas e tempo suficiente para organização logística. "Nosso povo está sob mísseis", disse Zelensky à AP. "Isto não é apenas uma guerra terrestre. Estamos sob ataques balísticos." O presidente ucraniano também ressaltou que qualquer eleição precisaria incluir os soldados na frente de batalha — um desafio logístico e legal de enorme complexidade.Zelensky apelou diretamente ao presidente Trump. "O presidente Trump pode fazer isso", afirmou. "Pressione Vladimir Putin, obtenha um cessar-fogo — e então nosso parlamento mudará a lei e faremos eleições, se necessário." A declaração revelou uma estratégia de comunicação direta com Washington, ao mesmo tempo em que construía um argumento político doméstico: a responsabilidade pelo cronograma de eleições passava a ser de Trump, não de Kiev.Em paralelo, Zelensky articulava pedidos ao lado europeu da conferência. Ele defendeu que a Europa precisava entrar formalmente no processo de negociações de paz — do qual havia sido crescentemente excluída em benefício do bilateralismo americano-russo. "Somos nós, os ucranianos, que tentamos trazer a Europa totalmente para o processo, de forma que os interesses e a voz da Europa sejam levados em conta. Isso é muito importante", declarou Zelensky, em frase citada em múltiplos veículos. Zelensky também discutiu com aliados europeus novos pacotes de ajuda militar e energética, com prazo até 24 de fevereiro — aniversário da invasão —, incluindo mísseis para sistemas de defesa aérea e suporte para a rede elétrica ucraniana, que vinha sofrendo ataques russos sistemáticos.Outro elemento da proposta de Zelensky, revelado em entrevistas à margem da conferência, foi a disposição ucraniana de discutir a criação de uma zona de livre comércio no Donbas — ideia proposta pelos EUA como parte de uma arquitetura econômica pós-cessar-fogo. Zelensky, no entanto, expressou ceticismo sobre a viabilidade do modelo: questionou como tal zona funcionaria numa região que a Rússia insistia em exigir que Kiev abandonasse como condição de paz. O presidente ucraniano também descreveu como "um pouco louco" qualquer esquema que implicasse a retirada ucraniana de seu próprio território.A posição de Zelensky em Munique condensava o dilema central da Ucrânia em fevereiro de 2026: como manter a legitimidade política interna e o apoio europeu enquanto navega as pressões de um aliado americano que, sob Trump, havia encerrado a assistência militar direta e buscava um acordo com Moscou sem incluir Kiev nas negociações.