AIEA aprova resolução exigindo cooperação nuclear imediata do Irã

Segurança e Paz — Oriente Médio

Conselho de Governadores da agência nuclear da ONU demanda transparência sobre estoques de urânio e acesso imediato para inspetores internacionais em territó...

AIEA aprova resolução por transparência nuclear no IrãO Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aprovou, nesta quinta-feira, 11 de junho de 2026, uma resolução que formaliza a exigência de cooperação imediata do Irã com as investigações internacionais em sua sede em Viena. O documento, impulsionado pela França, Alemanha e Reino Unido, demanda que o governo iraniano esclareça a presença de partículas de urânio em locais não declarados e autorize o retorno de inspetores especializados. A medida surge como resposta ao avanço das atividades de enriquecimento de urânio pelo país, que atingiram níveis preocupantes para a estabilidade do regime de não proliferação. Esta decisão reflete o aumento da pressão diplomática para evitar uma escalada nuclear no Oriente Médio.Exigências técnicas e monitoramento internacionalA nova resolução estabelece prazos rigorosos para que o governo de Teerã forneça justificativas técnicas consistentes sobre os vestígios de material nuclear detectados por peritos. O Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, alertou que a falta de acesso a instalações estratégicas e a recente revogação de vistos de inspetores experientes comprometem severamente a continuidade da verificação independente. Além disso, os relatórios mais recentes da agência indicam que o estoque de urânio enriquecido a 60% ultrapassou as margens de segurança, aproximando o país da capacidade de produção de artefatos militares. A restauração plena do monitoramento é apresentada pelas potências ocidentais como a única via para assegurar a natureza estritamente pacífica das atividades iranianas.Pressão diplomática e o papel das potências europeiasA iniciativa de submeter o texto ao Conselho de Governadores partiu do grupo europeu conhecido como E3, que busca preservar os mecanismos de controle estabelecidos originalmente no Plano de Ação Integral Conjunto (PAIC). Embora o acordo nuclear enfrente paralisia desde a retirada unilateral dos Estados Unidos em 2018, as capitais europeias sustentam que o silêncio da agência diante do acúmulo de material físsil não é mais uma opção politicamente viável. O governo iraniano reagiu prontamente, classificando a resolução como uma medida de natureza política e alertando para possíveis retaliações técnicas, como o desligamento de câmeras de vigilância adicionais. Este cenário de confronto direto dificulta a retomada de qualquer negociação multilateral que vise a estabilidade regional de longo prazo.Posicionamento brasileiro e defesa do multilateralismoO Brasil mantém sua tradição diplomática de defesa do desarmamento nuclear e do direito soberano ao desenvolvimento de tecnologia nuclear para fins pacíficos, conforme os princípios do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP). Durante as deliberações em Viena, a representação brasileira reforçou a necessidade de manter canais de diálogo abertos, manifestando preocupação com medidas que possam resultar no isolamento diplomático total de Teerã. O Itamaraty entende que a solução para o impasse deve ser construída por meios diplomáticos e fundamentada nas competências técnicas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), sem a politização excessiva dos fóruns de governança. A postura do país em 2026 segue a linha de buscar o equilíbrio entre as obrigações de salvaguardas e a segurança coletiva global.Impactos para a segurança e governança globalA aprovação desta resolução coloca o sistema de segurança coletiva da Organização das Nações Unidas (ONU) em um teste de eficácia quanto à sua capacidade de mediar crises de proliferação. Caso o Irã não responda de forma satisfatória às demandas de Rafael Grossi nas próximas semanas, o Conselho de Governadores poderá encaminhar o dossiê ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), o que abriria caminho para a imposição de novas sanções internacionais. O aumento das tensões ocorre em um contexto de fragmentação da ordem mundial, no qual a cooperação entre as grandes potências sobre segurança nuclear torna-se cada vez mais complexa. Diante deste panorama, resta a questão sobre a força residual dos mecanismos da diplomacia tradicional para conter o avanço armamentista e garantir a paz internacional.