Estreito de Ormuz Fecha, Petróleo Dispara

Economia e Comércio — Oriente Médio

O Irã bloqueia parcialmente o Estreito de Ormuz e mina o corredor marítimo estratégico enquanto o petróleo sobe mais de 15% nas primeiras horas após o início...

A comunidade internacional reagiu neste sábado, 28 de fevereiro de 2026, com uma mistura de espanto, consternação e condenação aos ataques militares coordenados de EUA e Israel contra o Irã, que resultaram na morte do líder supremo Ali Khamenei e no início de uma campanha militar de larga escala que havia fechado espaços aéreos em toda a região, suspendido voos comerciais de dezenas de países e lançado o Oriente Médio na maior crise desde a invasão do Iraque de 2003. A velocidade das reações internacionais era reveladora: ao contrário de crises anteriores, nas quais os aliados ocidentais geralmente aguardavam uma janela de avaliação antes de se pronunciar, nesta ocasião as declarações de condenação e preocupação chegaram em horas — sinalizando o grau de surpresa e desconforto mesmo entre aliados dos EUA.A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, emitiram declaração conjunta convocando "máxima contenção" e instando "todas as partes" a evitar nova escalada. A União Europeia, que havia sido excluída das negociações nucleares — assim como da decisão de atacar o Irã, conforme múltiplas fontes diplomáticas confirmaram à CBS News, ao dizer que o governo americano não havia "informado aliados sobre os detalhes da ação militar americana e israelense planejada" —, encontrava-se diante de um conflito que havia eclodido a despeito de seus apelos diplomáticos.Os líderes do chamado E3 — França, Alemanha e Reino Unido — emitiram uma declaração conjunta afirmando que "em última análise, o povo iraniano deve ter o direito de determinar seu próprio futuro". A formulação era notável: ao mesmo tempo em que evitava condenar explicitamente os EUA como aliados, ela implicitamente reconhecia que a operação poderia criar condições para mudança de regime — e colocava o destino desse processo nas mãos dos iranianos, não de Washington ou Jerusalém. Essa foi a linguagem mais próxima de uma crítica velada que os europeus encontraram para se expressar publicamente naquele momento.O secretário-geral da ONU, António Guterres, convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança e emitiu declaração de profunda preocupação. "Tudo deve ser feito para prevenir uma nova escalada", afirmou Guterres. "A alternativa é um potencial conflito mais amplo com graves consequências para os civis e para a estabilidade regional." O embaixador iraniano na ONU, Amir-Saeid Iravani, dirigiu-se ao Conselho de Segurança exigindo condenação dos ataques e denunciando violações da Carta das Nações Unidas. A Rússia e a China, que detinham poder de veto no CSNU, sinalizaram intenção de vetar qualquer resolução que legitimasse a operação americana-israelense.A Noruega emitiu uma das declarações mais juridicamente explícitas de entre os aliados ocidentais. A ministra das Relações Exteriores norueguesa, Espen Barth Eide, afirmou que o ataque israelense "não era consistente com o direito internacional" porque "ataques preventivos requerem uma ameaça imediata" — e a ameaça iraniana, embora real em termos de programa nuclear e de mísseis, não atendia ao critério de iminência estabelecido pelo artigo 51 da Carta da ONU. A posição norueguesa ecoava o debate clássico em direito internacional sobre a diferença entre legítima defesa preemptiva (contra ameaça imediata, lícita) e preventiva (contra ameaça futura, ilícita).A Turquia — membro da OTAN e um dos países com relações mais complexas tanto com o Irã quanto com os EUA — convocou o embaixador americano em Ancara e emitiu uma declaração protestando contra os ataques. O ministro das Relações Exteriores turco, Hakan Fidan, falou por telefone com homólogos de uma série de países, expressando preocupação com a "escalada dramática" e pedindo "de-escalada imediata". A Arábia Saudita, que havia interceptado drones iranianos em seu território, buscava ao mesmo tempo defender-se das retaliações iranianas e evitar ser vista como cúmplice da operação americana — numa dança diplomática que revelava a profundidade das contradições da postura saudita no conflito.O Brasil manifestou-se através do Ministério das Relações Exteriores, com uma declaração que, embora diplomática na forma, era inequívoca em substância. O Itamaraty afirmou que o governo brasileiro "condena qualquer uso da força contrário aos princípios da Carta das Nações Unidas e ao direito internacional" e convocou "imediato cessar-fogo, retomada do diálogo diplomático e proteção da população civil". A declaração reiterava a posição histórica brasileira de defesa do multilateralismo, da solução pacífica de controvérsias e da não intervenção — pilares do artigo 4 da Constituição Federal brasileira. Para o candidato ao CACD, a posição brasileira era um exercício de aplicação direta dos princípios constitucionais de política externa ao caso mais dramático do período.Paralelamente, o príncipe exilado iraniano Reza Pahlavi elogiou o ataque, chamou Khamenei de "déspota sanguinário de nossa época" e convocou as forças de segurança iranianas a não "preservar um regime em colapso" mas a "ajudar a garantir a transição estável do Irã para um futuro livre e próspero". A mobilização da diáspora iraniana foi imediata: celebrações estouraram nas ruas de Los Angeles — onde vivem mais de 200.000 iranianos —, com manifestantes agitando bandeiras do Irã pré-revolucionário adornadas com o leão e o sol. Em Times Square, em Nova York, centenas de manifestantes pró-Irã protestaram contra os ataques. Na frente do 10 Downing Street, em Londres, manifestantes anti-regime iraniano se reuniram em apoio à operação.