Guterres faz primeira visita oficial de um chefe da ONU à Síria em 17 anos

Segurança e Paz — Oriente Médio

Encontros diplomáticos priorizam apoio financeiro internacional para a estabilização do país e exigem a retirada imediata de tropas estrangeiras das Colinas ...

Chegada histórica do líder da ONU a DamascoO secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, desembarcou em Damasco neste sábado, 25 de julho de 2026, para sua primeira visita oficial à Síria no cargo. O líder diplomático foi recebido pelo ministro das Relações Exteriores sírio e manteve conversas com o presidente interino, Ahmed al-Sharaa. Essa agenda representa a primeira incursão de um chefe da instituição ao país árabe em 17 anos, ocorrendo quase dois anos após a queda do regime de Bashar al-Assad. O objetivo central do encontro envolve a formulação de estratégias para a reconstrução nacional, o fortalecimento da cooperação humanitária e a estabilização política de uma nação devastada por mais de uma década de conflitos.Roteiro simbólico e apelo por reconstrução inclusivaA passagem pela capital síria incluiu roteiros de alto valor simbólico para o atual período de transição política. Guterres percorreu a parte velha de Damasco e a Mesquita dos Omíadas, além de visitar o complexo prisional militar de Sednaya, local associado a graves violações de direitos humanos durante o antigo governo. O diplomata declarou que o país vive um momento de possibilidade para estabelecer alicerces mais estáveis e inclusivos. Ele apelou à comunidade internacional por apoio financeiro e estrutural imediato. A presença do secretário-geral consolida os esforços do novo governo sírio para reinserir o Estado na diplomacia global, ocorrendo semanas após o país receber o presidente francês Emmanuel Macron.Condenação das ocupações nas Colinas de GolãA integridade territorial síria pautou grande parte das declarações públicas conjuntas entre as autoridades locais e a delegação internacional. Guterres condenou de forma contundente as operações militares de Israel na região sul do país e nas Colinas de Golã. Forças israelenses ocuparam uma zona de amortecimento patrulhada pela ONU logo após a destituição do governo anterior em 2024, estabelecendo um perímetro de segurança ampliado que resultou em incursões terrestres frequentes. O chefe da ONU enfatizou que o território em disputa pertence à Síria e exigiu o fim imediato das violações de soberania. O ministro al-Shaibani reforçou essa postura governamental, classificando a ocupação como uma ameaça direta à estabilidade e um obstáculo à paz.Desafios futuros e continuidade da agenda diplomáticaO engajamento contínuo das Nações Unidas focará na facilitação de um ambiente seguro para o retorno voluntário de refugiados e na formulação de uma constituição permanente. A delegação inspecionará a Força Observadora de Desengajamento da ONU nas Colinas de Golã para avaliar o cumprimento dos acordos fronteiriços de 1974. Guterres tem um discurso programado no novo parlamento sírio na próxima segunda-feira, antes de seguir viagem para o Chipre. A reconstrução de infraestruturas essenciais demandará dezenas de bilhões de dólares e um sólido pacto de cooperação externa. Resta saber como as grandes potências articularão esse suporte financeiro diante das tensões geopolíticas persistentes no Oriente Médio.